noticia_secundaria_sem_destaque (Page 33)

A ação é um piloto para a realização de novas parcerias com empresas públicas de Ater nos demais estados que executam o Programa

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) assinou, nesta segunda-feira (17), Instrumento Específico de Parceria (IEP) entre a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e a Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS) para a execução do Programa Nacional de Crédito Fundiário – Terra Brasil.

A iniciativa visa ampliar e agilizar o acesso de agricultores familiares ao programa federal e qualificar a execução dos serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) destinados às famílias beneficiárias desta política pública, promovendo o desenvolvimento sustentável de suas unidades produtivas.

A ação é um piloto para a realização de novas parcerias com empresas públicas de Ater nos demais estados que executam o PNCF – Terra Brasil. Nesta primeira parceria, serão beneficiadas 400 famílias de agricultores familiares do Rio Grande do Sul. A ação abrangerá todos os municípios do estado, priorizando aqueles que possuem demanda qualificada de agricultores para acesso ao programa do Mapa.

Ao assinar o documento, a ministra Tereza Cristina destacou que a ação contará com a colaboração de parceiros, garantindo mais celeridade aos processos e aumentando o alcance do programa.“É um somatório de pessoas querendo que a agricultura familiar caminhe para frente, que a gente saia desse círculo vicioso das coisas demorarem anos para acontecer. E que, agora, vai se tornar um círculo virtuoso das coisas acontecendo rapidamente”.

Para execução desta iniciativa será aportado um valor total de R$ 1.492.743,60, sendo R$ 1.180.353,60 pela Anater/Mapa e, em contrapartida, R$ 312.390,00 pela Emater/RS. Os recursos serão utilizados no pagamento de horas técnicas dos extensionistas rurais envolvidos na execução das atividades de Ater e demais despesas necessárias. O Instrumento Específico de Parceria tem vigência até 31 de dezembro de 2022.

O presidente da Anater, Ademar Silva Júnior, explicou como será realizado o repasse dos valores para a Emater/RS. “Os recursos já estão em caixa. A partir da execução dos projetos e com a entrega desses projetos para que a gente possa fiscalizar, os pagamentos serão feitos o mais rápido possível”.

Os projetos incluem serviços necessários para a estruturação das unidades produtivas, como ressaltou o presidente da Emater/RS, Geraldo Sandri. “O nosso papel é de extensão rural, de mobilização, mas, em especial, de fazer o projeto produtivo daquela propriedade. Não basta ter apenas a terra. É importante que aconteça o acompanhamento, que o projeto produtivo seja acompanhado pelos técnicos da Emater, que fazem um trabalho fantástico na mobilização dessas famílias. E aqui podemos falar na gestão financeira da propriedade, preparando e reservando recursos para fazer frente às primeiras prestações dessa terra adquirida, e também na análise de viabilidade de qual produção, grão e atividade será implementada nessa propriedade”. 

O modelo de parceria firmado é uma inovação na execução do PNCF – Terra Brasil, pois possibilita que a Emater/RS atenda aos produtores rurais desde a manifestação de interesse para aquisição do imóvel rural, incluindo a capacitação necessária para acesso ao programa, até a consolidação de suas unidades produtivas.

Com foco no aprimoramento do programa, em 2019 o Mapa deu início ao processo de reformulação da política pública, como ressaltou o secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo, Fernando Schwanke. “Nos últimos dois anos realizamos uma série de mudanças para destravar e fazer com que os agricultores tenham efetivamente acesso ao crédito fundiário, fazendo com que o programa chegue lá na ponta. Agora, estamos dando mais um passo importante firmando essa parceria com o objetivo de atender à demanda dos pequenos produtores rurais para o acesso à terra e o desenvolvimento de suas unidades produtivas”, disse.

Programa Nacional de Crédito Fundiário – Terra Brasil

O Programa Nacional de Crédito Fundiário – Terra Brasil oferece condições para que os agricultores sem acesso à terra ou com pouca terra possam comprar imóvel rural por meio de um financiamento de crédito rural.

Além da terra, os recursos financiados podem ser utilizados na estruturação da propriedade, na implantação do projeto produtivo e na contratação dos serviços Ater, gerando oportunidade, autonomia e fortalecimento da agricultura familiar, alicerçado na melhoria da qualidade de vida, geração de renda, redução da pobreza, segurança alimentar e sucessão no campo para os agricultores familiares.

Podem acessar o programa trabalhadores rurais não-proprietários, preferencialmente assalariados, meeiros, posseiros e arrendatários que comprovem, no mínimo, cinco anos de experiência na atividade rural; e agricultores proprietários de imóveis cuja área não alcance a dimensão da propriedade familiar e seja comprovadamente insuficiente para gerar renda capaz de propiciar-lhes o próprio sustento e o de suas famílias.

O Terra Brasil é voltado para trabalhadores rurais com idade entre 18 e 70 anos; e jovens de 16 anos e menores de 18 anos, desde que devidamente emancipados, com averbação no cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais. Os jovens com idade entre 16 e 19 anos deverão comprovar 2 anos de origem na agricultura familiar, como integrante do grupo familiar ou como aluno de escola técnica, dos Centros Familiares de Formação por Alternância.

>> Clique aqui para saber mais sobre o Terra Brasil – PNCF

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)

A Expocafé 2021 será realizada entre os dias 18 e 21 de maio, novamente no formato totalmente virtual, em função das medidas de distanciamento social, necessárias para o controle da pandemia. A Emater-MG vai participar do evento com palestra, conteúdos técnicos para produtores, plantão técnico e o webinar “Mulheres do Café”. A feira terá ainda estandes virtuais para apresentação e negociação de maquinários e insumos para a cafeicultura. Toda a programação poderá ser acompanhada pelo site do evento: www.expocafeoficial.com.br.

Entre as atrações da feira, está o 2º. Encontro Técnico da Expocafé, que contará com painéis temáticos, sobre “Inteligência Artificial, Tecnologias para a Cafeicultura Familiar e Gestão”. Os debates acontecem entre os dias 18 e 20 de maio, com mediação de pesquisadores da Epamig e a participação se dará mediante inscrições prévias, que já podem ser feitas pelo site.

Na quarta-feira (19/5), às 17h30, haverá o painel “Tecnologia para a cafeicultura familiar”, que terá como mediador o pesquisador César Botelho. O coordenador técnico estadual de Cafeicultura da Emater-MG, Bernardino Cangussú, vai falar sobre “Assistência técnica e extensão rural para a cafeicultura familiar”.

 “Nós vamos discutir os processos de assistência técnica como o individual e a metodologia grupal, que agora está ocorrendo via palestras on-line para mais produtores, também falaremos do concurso de café e do programa Certifica Minas”, conta Bernardino Cangussú.

No painel também serão abordados os temas “Tecnologias desenvolvidas pela Epamig com aplicação na agricultura familiar”, pelo coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Cafeicultura da Epamig, Rogério Silva; e “Benefícios do ATeG na cafeicultura mineira”, com o supervisor de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar no Sul de Minas, Rodrigo Elias Almeida Dias.

“O grande segredo é que hoje temos muitas tecnologias acessíveis para os agricultores familiares. Há aplicativos de celular, por exemplo, que oferecem muitos benefícios para os produtores. Atualmente, o acesso às novas técnicas e processos tem refletido na melhoria da qualidade dos cafés da agricultura familiar. Muitos pequenos produtores foram campeões do Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas, usando técnicas recomendadas”, argumenta o coordenador da Emater-MG.

O público poderá interagir com os palestrantes e debatedores do painel, por meio do chat ao vivo. Os produtores podem ainda acompanhar as estações institucionais, que serão conduzidas por pesquisadores e técnicos da Epamig, da Emater-MG e da Universidade Federal de Lavras (Ufla), que apresentarão, na prática, tecnologias de cultivo e manejo. Os estandes virtuais estarão disponíveis para a visitação a partir da terça-feira, 18 de maio, às 8 horas. De acordo com o coordenador de Negócios da Expocafé, Antônio Nunes, a edição on-line de 2021 terá quase o dobro de expositores, na comparação com o ano passado.

Participação feminina

A Expocafé contará também com quadros especiais como a Expocafé Mulheres, quadro especial que abordará o tema “Rumo à equidade no mercado de café” e reunirá profissionais que se tornaram lideranças no segmento. Os debates serão realizados entre os dias 19 e 21 de maio, sempre às 15 horas. Na quarta-feira (19/5), a abertura será feita pela presidente da Epamig, Nilda Soares. Também neste primeiro dia, a consultora da ONU Mulheres, Helga Andrade, vai falar sobre o “Programa Ganha-Ganha: igualdade de gênero e bons negócios”, em um painel mediado pela pesquisadora Margarete Volpato (Epamig).

No segundo dia de programação, a produtora de cafés orgânicos especiais e presidente da Aliança Internacional das Mulheres do Café, Capítulo Brasil (IWCA Brasil), Miriam Monteiro de Aguiar, apresentará o tema “Criando oportunidades para as mulheres do café no Brasil”, com mediação da pesquisadora Helena Maria Alves (Embrapa Café).

Já a empresária Maysa Aparecida Pereira dos Reis, desenvolvedora de um aplicativo de negociação de cafés, vai relatar sua experiência no painel de encerramento, do dia 21 de maio, com mediação de Sérgio Parreiras Pereira, da Rede Social da Café. A participação na Expocafé Mulheres se dará por meio de inscrições prévias.

Também na sexta-feira (21/5), às 16 horas, haverá o webinar “Mulheres do Café”, no canal do YouTube da Emater-MG (www.youtube.com/ematerminas). A secretária estadual de Agricultura de Minas Gerais, Ana Maria Soares Valentini, fará a abertura e as convidadas são a diretora Executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Vanusia Nogueira, e a cafeicultora Bruna Tavares da Silva, membro da Associação das Mulheres do Café das Matas de Minas (AMUC) e proprietária de uma marca premiada de café. As palestras vão ser sobre a história dessas mulheres na cafeicultura.

A Expocafé é organizada pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Epamig e da Secretária de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com apoio institucional da prefeitura de Três Pontas, Cocatrel, Ufla, Emater-MG e Consórcio de Pesquisa Café.

Fonte: Emater-MG

A Associação Criança, Esporte, Cultura, Educação e Recreação (Crescer) é uma das empresas prestadoras de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) que foram selecionadas pela Chamada Pública 001/2020 da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) para atuar no âmbito do Programa de Consolidação de Assentamentos – Produzir Brasil no Mato Grosso do Sul. A execução da política pública foi iniciada no estado e a Crescer é responsável por assistir assentamentos nos municípios de Maracaju, Nioaque, Jardim, Aquidauana e Bodoquena.

Nos últimos dias, foi colocado em prática um cronograma de encontros para apresentar o programa às famílias nos Assentamentos Santa Guilhermina, Valinhos e Canta Galo em Maracaju; no Assentamento Palmeira em Nioaque; e nos Assentamentos Guardinha e Recanto do Rio Miranda em Jardim. Nas ocasiões, também foram apresentadas as equipes técnicas, compostas por profissionais com formação multidisciplinar. Os extensionistas passaram por capacitação ministrada pela Anater para atuarem junto aos beneficiários.

O diretor administrativo da Anater, Marco Aurélio Santullo, participou das reuniões juntamente com dirigentes municipais. “Nos traz uma satisfação imensa trabalhar com uma gestão de responsabilidade e eficiência como nesses municípios. Seguimos a orientação do governo para que todos os assentamentos contemplados tenham assistência técnica e sejam regularizados”, destacou.

A Crescer é responsável por assistir assentamentos nos municípios de Maracaju, Nioaque, Jardim, Aquidauana e Bodoquena

O Produzir Brasil é fruto do trabalho entre a Anater e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), sob governança do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Surgiu para transformar a assistência técnica convencional e acelerar o processo de consolidação dos projetos de reforma agrária com o incentivo à produção em cadeias de valor que garantam o desenvolvimento sustentável.

O programa viabiliza Ater aos produtores assentados que foram titulados ou estão em processo de titulação, pertencentes à relação de beneficiários do Incra. Além da Crescer, o Instituto Biosistêmico (IBS) e a Agência de Desenvolvimento do Extremo Oeste do Paraná (Adeop) também foram selecionadas pela chamada pública e irão atender 1.618 famílias no estado sul-mato-grossense. Já por meio do Instrumento Específico de Parceria (IEP), firmado entre a Anater e a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer-MS), 1.177 famílias serão beneficiadas ao todo.

Além da Crescer, a Adeop e o IBS também foram selecionadas pela chamada pública e irão atender 1.618 famílias no estado sul-mato-grossense

Atendimento da Crescer

No município de Maracaju, 360 famílias dos assentamentos Santa Guilhermina, Canta Galo e Valinhos serão beneficiadas. Em Nioaque, 113 famílias do assentamento Palmeira. Em Jardim, 110 famílias dos assentamentos Guardinha e Recanto do Rio Miranda. Já em Aquidauana, 253 famílias dos assentamentos Indaiá I, Indaiá II, Indaiá III e Indaiá IV. E em Bodoquena, 76 famílias no assentamento Campina.

A presidente da Crescer, Ana Cristina Catarina dos Santos, enfatizou como o programa proverá condições para eficácia do fomento à produção com sustentabilidade. “Juntos, iremos promover o desenvolvimento econômico, social e agroambiental, e consequentemente o desenvolvimento rural sustentável tão necessário nesses assentamentos”.

Atendimento do IBS

O município de Itaquiraí, no Mato Grosso do Sul, também está entre os contemplados pelo Produzir Brasil com o início dos trabalhos pelo Instituto BioSistêmico (IBS). De acordo com a Chamada Pública 001/2020 da Anater, 371 famílias de agricultores familiares nos assentamentos Lua Branca, Caburey e Tamakavi serão atendidas.

Lançamento do Produzir Brasil pela equipe do IBS nos assentamentos de MS

O programa foi lançado oficialmente na região, nos dias 22 e 23 de abril, com ações presenciais nas três áreas atendidas. As reuniões de mobilização contaram com a presença das famílias assentadas, autoridades locais, equipe de Ater do IBS, além de representantes de potenciais parceiros, como a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer/MS) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MS).

“Por meio da Ater realizada pela equipe do IBS, esperamos contribuir para melhorias no sistema produtivo, com ampliação das possibilidades de inserção dos produtos no mercado local e da região”, destaca o diretor de Ater do IBS, Claudio Pinheiro.

Atendimento da Adeop

Os beneficiários do Assentamento Marcos Freire, em Dois irmãos do Buriti, tiveram a primeira reunião do Produzir Brasil, com a liderança da Adeop (Agência de Desenvolvimento Regional do Extremo Oeste do Paraná). Serão beneficiadas 187 famílias. O trabalho pela Adeop será primeiramente o levantar sobre as potencialidades e pontos fracos para realizar o diagnóstico da aptidão local, entendendo as demandas e necessidades com o objetivo de desenvolver as cadeias produtivas. Em breve, serão atendidas mais 148 famílias do assentamento São Manoel, em Anastácio.


Fonte: com informações da Crescer e IBS

Além do título, cerca de 550 famílias selecionadas pelo Programa Produzir Brasil receberão Ater nos assentamentos

Na manhã desta sexta-feira (14), o Governo Federal entregou 1.128 Títulos de Domínio (TD) a beneficiários do Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA) no Mato Grosso do Sul. É a maior entrega do documento definitivo no estado e, por isso, alcançou-se a marca de quase 4 mil no total (definitivos e provisórios), emitidos entre os anos de 2019 e 2021. A cerimônia foi realizada no assentamento Santa Mônica, em Terenos, a 30 quilômetros da capital Campo Grande.

O ato contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro; da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, do secretário especial de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia; do presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Geraldo Melo Filho; e do presidente da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), Ademar Silva Júnior.

A ministra Tereza Cristina destacou que a missão do Governo Federal é agilizar a titulação no país para garantir a independência financeira dos agricultores familiares do país, com acesso a crédito e políticas públicas. “A partir de agora, vocês são independentes. Vocês podem fazer o quiserem, a terra é de vocês. Vocês são donos da vida de vocês”, disse.

A assentada Maria Juraci Ladeia comemorou o recebimento do título definitivo. “Para mim, esse título é a realização de um sonho. Vou poder impulsionar mais minha produção agrícola”, afirmou.

Dentre as famílias tituladas, 549 na área de reforma agrária Santa Mônica foram selecionadas pelo Programa de Consolidação de Assentamentos – Produzir Brasil e receberão Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), durante dois anos. Em Mato Grosso do Sul, a previsão é a de beneficiar 2.795 famílias de 24 assentamentos, localizados em 11 municípios.

Programa de Consolidação de Assentamentos – Produzir Brasil

O Produzir Brasil é fruto do trabalho entre a Anater e o Incra, sob governança do Mapa. Surgiu para transformar a assistência técnica convencional e atender às demandas específicas do PNRA. A iniciativa pretende acelerar o processo de consolidação dos projetos de reforma agrária com o incentivo à produção em cadeias de valor que garantam o desenvolvimento sustentável. Assim, promoverá a estabilidade social das famílias assentadas a partir da elaboração, execução e monitoramento dos Planos de Desenvolvimento Sustentável dos Assentamentos (PDSA).

O programa viabiliza Ater aos produtores assentados que foram titulados ou estão em processo de titulação, pertencentes à relação de beneficiários do Incra. No estado sul-mato-grossense, por meio do Instrumento Específico de Parceria (IEP), firmado entre a Anater e a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer-MS), 1.177 famílias serão atendidas ao todo. Já com a realização de Chamada Pública, 1.618 famílias serão atendidas pelas seguintes empresas selecionadas: Agência de Desenvolvimento do Extremo Oeste do Paraná (ADEOP), Associação Criança, Esporte, Cultura, Educação e Recreação (Crescer) e Instituto Biosistêmico (IBS).

O objetivo é que recebam apoio técnico qualificado para construírem referenciais produtivos e tecnológicos ajustados ao seu ambiente, respeitando os recursos naturais locais e aperfeiçoando a atividade de produção com conhecimento. O presidente da Anater, ressaltou como a ação conjunta deve ser eficaz para proporcionar a independência financeira dos assentados.

“O Produzir Brasil representa a presença do estado nos assentamentos para fortalecer a estrutura e autonomia, promovendo o desenvolvimento rural sustentável. Nós, da Anater, iremos oferecer dentro das propriedades o apoio técnico para produzirmos, cada vez mais, o alimento que chega na mesa do brasileiro. Não se trata de garantir somente a agricultura de subsistência, mas sim de produzir excedente para o mercado”, disse.

Fonte: Ascom Anater, com informações do Mapa

Ações são voltadas também para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores rurais familiares

Em parceria com a Agência Nacional de Assistência Técnica (Anater), os escritórios locais da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) nos municípios de Ipixuna do Pará e Irituia, vinculados ao Escritório Regional da Emater de São Miguel do Guamá, estão implantando o modelo de Unidade de Referência Tecnológica (URT).

Trata-se de uma ferramenta de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) que tem o objetivo de melhorar a produção, a partir da capacitação dos produtores rurais familiares e da difusão de tecnologias, como explica o engenheiro agrônomo Cleyton Damasceno, chefe do escritório local da Emater em Ipixuna do Pará.

“A URT é uma unidade onde se implanta uma metodologia que pode ser colocada como modelo para a realidade daquela comunidade. No caso da comunidade Balalaica, em Ipixuna do Pará, eu e o técnico em agropecuária Ailton Martins, realizamos reuniões prévias para ouvir as demandas da comunidade e se definiu que a URT seria de Avicultura Caipira.”, informa o engenheiro.

A Unidade foi implantada na propriedade do produtor Jorge Martins, agricultor tradicional da Colônia Balalaica e servirá de modelo demonstrativo para qualificação da comunidade e para demais agricultores interessados em adotar as técnicas apresentadas.

Para a implantação da URT, a Emater disponibilizou toda a orientação e suporte técnico e estrutural. “Foram fornecidos os pintos de linhagens comerciais híbridas, ração e vacinas e adaptação do galpão para abrigar as aves. Também foi feita a divisão da área de pastejo em dois piquetes telados e com capacidade para 100 aves cada. O ciclo de produção estimado será de 120 dias”, informa Cleyton Damasceno.

Para o agricultor José Martins, que vai assumir as despesas necessárias e a manutenção dos custos de produção, após a venda do primeiro lote, a URT atende a uma necessidade individual e coletiva.

“É uma coisa interessante, onde vem trazer mais renda ao produtor e ao mesmo tempo agrega mais valor na propriedade. Além disso, a tecnologia vai servir para despertar os demais agricultores da nossa comunidade para a importância da diversificação de atividades, reaproveitando materiais do próprio lote, sem agressão ambiental, mantendo o agricultor no campo com a melhoria de sua renda familiar”, afirma José Martins.

Cerca de 25 famílias serão beneficiadas diretamente pela implantação da URT de Galinha Caipira na Comunidade Balalaica, em Ipixuna do Pará, e indiretamente os conhecimentos e disseminação de tecnologias podem alcançar até 100 famílias do município.

URT de Mandioca em Irituia

Também na região nordeste do Pará, o Escritório Local da Emater em Irituia atua na instalação de uma URT voltada ao cultivo de mandioca, uma cultura que faz parte da alimentação do irituiense e que também se constitui em uma das mais importantes fontes de renda para os agricultores locais, considera o chefe do escritório local, o engenheiro agrônomo Henrique Ferro.

“O município de Irituia se caracteriza por produzir uma farinha de qualidade. O cultivo de mandioca é praticamente a base da agricultura familiar em Irituia, pois o agricultor planta tanto para a sua subsistência quanto para vender a farinha. Então essa URT foi idealizada justamente para mostrar as novas tecnologias para o plantio de mandioca, voltadas para o aumento da produção”, afirma o engenheiro.

A área da Unidade de Referência será de um hectare, onde se pretende incentivar o cultivo da mandioca para toda a comunidade onde está localizada a URT e circunvizinhança. De acordo com o agrônomo Henrique Ferro, serão adotadas práticas tecnológicas como a mecanização, adubação e calagem, fortalecendo a cadeia produtiva da espécie e implementando a renda e segurança alimentar, com o trabalho de tecnologias sustentáveis. O engenheiro estima o quanto que a produção em cada propriedade pode ser aumentada a partir da implantação da URT.

“No cultivo tradicional você tira aproximadamente 10 mil quilos de mandioca por hectare. A partir do momento que você aplica tecnologias como correção da acidez do solo, análise do solo, aplicação dos nutrientes que as plantas necessitam, espera-se uma produção de até 30 mil quilos. Então a URT vai mostrar isso para os agricultores, que a aplicação das tecnologias gera o aumento da produção e eles vão aprender isso e vão passar a reproduzir futuramente com esse conhecimento.”, informa Henrique.

A URT de Mandioca de Irituia foi implantada na propriedade da agricultora Terezinha Xavier, moradora antiga da Comunidade Quilombola Nova Laodicéia, localizada a 42 quilômetros da sede do município. Além da família de dona Terezinha, o projeto envolve diretamente mais 22 famílias de Nova Laodicéia e de outras comunidades quilombolas do município, explica a pedagoga Wágma Monteiro, que integra a Equipe de campo da Emater.

“Além da Nova Laodicéia, o trabalho abrange famílias de outras comunidades quilombolas da Região que são a São Francisco do Maracaxeta, São José do Patauateua e São José da Boa Vista. Em Nova Laodicéia, nós iniciamos com um diagnóstico socioeconômico da comunidade e antes de finalizar nós vamos avaliar quais foram os benefícios que essa comunidade conseguiu através do projeto”, conclui Wágma.           

A área escolhida para a implantação da URT é um local de fácil acesso aos demais beneficiários que fazem parte do projeto e as famílias participarão de todas as etapas do plantio, tendo assim a oportunidade de conhecer os conhecimentos tecnológicos que serão aplicados na URT.

Vinte e três famílias de trabalhadores rurais de Irituia serão beneficiadas diretamente pela URT de Mandioca e indiretamente o projeto pode atingir cerca de 150 famílias. 

Fonte: Emater-PA

O Governo Federal entrega títulos a beneficiários da reforma agrária em Mato Grosso do Sul. A cerimônia será realizada nesta sexta-feira (14), às 10h30, no assentamento Santa Mônica, em Terenos, a 30 quilômetros de Campo Grande.

O ato contará com a presença da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina; do secretário especial de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia; do presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Geraldo Melo Filho; e do presidente da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), Ademar Silva Júnior. Está prevista a participação do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Na ocasião, serão anunciados os valores investidos pelo Governo Federal, por meio do Incra, nos assentamentos no estado, e também será abordado o Programa de Consolidação de Assentamentos – Produzir Brasil, executado em parceria com a Anater.

Serviço
Ato de entrega de títulos definitivos a assentados no estado de Mato Grosso do Sul.
Data: 14 de maio de 2021
Horário: 10h30
Local: Assentamento Santa Mônica, no município de Terenos (MS).

Informações à imprensa
imprensa@agricultura.gov.br

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)

De maio a agosto de 2021, a Epagri vai reunir agricultores e profissionais da área agrícola na capacitação técnica on-line sobre produção de grãos, que será realizada no canal de capacitações da Empresa, no YouTube. O conteúdo será distribuído em sete etapas, ministrado sempre às quartas-feiras. A primeira delas será no dia 12 de maio e vai abordar o potencial agronômico e a escolha de cultivares de trigo.  O evento é gratuito, não precisa de inscrição prévia e terá emissão de certificados.

No evento serão abordadas temáticas relacionadas às culturas do trigo, milho, feijão e soja. (Foto: Aires Mariga)

O coordenador da capacitação, Donato Lucietti,  explica que os interessados podem participar dos encontros de forma independente. No evento serão abordadas temáticas relacionadas às culturas do trigo, milho, feijão e soja, como escolha de cultivares, manejo da cigarrinha-do-milho e das principais doenças da cultura do trigo, transgenia, ferrugem da soja, melhoramento genético para cultura de feijão em Santa Catarina e manejo da fertilidade do solo para sistemas de cultivos de grãos.

A seguir, confira a programação do evento. Para participar, basta clicar na palestra desejada para ser direcionado à página da capacitação.

Programação da capacitação técnica on-line na produção de grãos

12/05, das 15h às 17h – Potencial agronômico e escolha de cultivares de trigo. Instrutor: Sydney Antonio Frehner Kavalco

19/05, das 19h às 19h40  – Enfezamento do milho: etiologia e transmissão dos patógenos. Instrutora:  Maria Cristina Canalle

19/05, das 19h40min às 21h – Cigarrinha-do-milho: Bioecologia e manejo. Instrutor: Leandro do Prado Ribeiro

09/06, das 19h às 21h – Manejo das principais doenças da cultura do trigo. Instrutor: João Américo Wordell Filho

23/06, das 15h às 17h – Perspectiva do melhoramento genético para cultura de feijão em SC. Instrutor: Sydney Antonio Frehner Kavalco

07/07, 19h às 21h – Transgenia no manejo integrado de pragas. Instrutor: Rodolfo Vargas Castilhos

11/08, 19h às 21h – Manejo da fertilidade do solo para sistemas de cultivos de grãos. Instrutora: Fabiana Schmidt

25/08, 19h às 21h – Experiências com manejo integrado de pragas e ferrugem da soja. Instrutores: Eduardo Briese Neujahr e Donato João Noernberg

Serviço:

O que: Capacitação técnica on-line na produção de grãos

Quando: de 12 de maio a 25 de agosto de 2021

Horário: períodos da tarde e/ou noite

Local: canal de capacitações on-line da Epagri, no YouTube

Fonte: Epagri-SC

Atualmente, são 35 projetos no Nordeste, 15 no Norte, oito no Centro-Oeste, oito no Sudeste e dez no Sul

Com o objetivo de capacitar jovens estudantes e graduados para atuarem no campo, o AgroResidência – Programa de Residência Profissional Agrícola, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), já está com diversos projetos em andamento pelo país. No total, 76 projetos de instituições de ensino foram selecionados no primeiro edital para desenvolverem atividades de qualificação técnica com 943 estudantes e recém-egressos dos cursos de ciências agrárias e afins.

A proposta é aproximar o universo acadêmico com a realidade do campo, contribuindo para a formação de profissionais capazes de dar respostas às demandas dos diferentes segmentos da agropecuária, e, ao mesmo tempo, promover o senso de responsabilidade ética.

Atualmente, são 35 projetos no Nordeste, 15 no Norte, oito no Centro-Oeste, oito no Sudeste e dez no Sul. Cada projeto leva em conta as características das atividades agropecuárias de cada região, potencial e necessidade.  “Enquanto no Tocantins estamos com projetos voltados para a cadeia produtiva do leite e para a pecuária de corte; no Sertão sergipano, um outro projeto trabalha com os jovens a otimização de sistemas de produção de milho e forragens e, no Rio Grande do Sul, as temáticas são as práticas agronômicas de manejo e conservação do solo, agricultura de precisão e outras”, explica o secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo, Fernando Schwanke.         

Em Minas Gerais, nos municípios de Viçosa, Lagoa Formosa e Conselheiro Lafaiete, quatro residentes já estão colocando em prática os novos conhecimentos. “As atividades são voltadas para nutrição animal, planejamento forrageiro e aumento de qualidade, com o propósito de ampliar a produção de leite e a rentabilidade do produtor”, destaca a professora orientadora Polyana Rotta.

Um dos residentes do projeto, Tarcis Raimundi, 25 anos, participa do AgroResidência desde janeiro deste ano. Formado em zootecnia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), o jovem conseguiu um emprego após a experiência adquirida durante as atividades.

“Participar do projeto foi muito enriquecedor, pois pude colocar em prática as minhas habilidades e competências adquiridas durante a graduação. Além disso, estive inserido em um ambiente onde pude agregar ainda mais conhecimento e, com isso, atualmente estou empregado”, comemora.  

A residência profissional agrícola foi importante para que o residente Tarcis Raimundi conquistasse um emprego

Outro projeto que já está com os alunos em campo ocorre no município de Iguatu, no Ceará. Os dez residentes aprendem técnicas de agricultura de precisão e manejo racional da adubação e dos recursos hídricos, com o auxílio do geoprocessamento, sensoriamento remoto e machine learning.

“Buscamos abranger diversas atividades do meio agropecuário, como produção, serviços e indústria, trazendo unidades residentes parceiras que abrissem espaço aos novos talentos do agro. Ao mesmo tempo, fossem beneficiadas com o capital intelectual desses jovens profissionais”, ressalta o professor orientador Vinícius Calou.

Os participantes estão alocados em Unidades Residentes (UR) com grande vocação agropecuária, atuando diretamente em pequenas, médias e grandes propriedades, escritório de projetos de crédito rural, consultoria e assistência técnica, abate e processamento de carnes, execução e manejo de projetos de irrigação e de topografia e aerolevantamentos.    

“O residente é beneficiado, principalmente, pela oportunidade de construção de sua carreira. As Unidades Residentes ganham na contratação de um profissional qualificado e preparado para a atividade. O professor orientador tem o privilégio de promover a extensão dos conhecimentos. E o agro, de maneira geral, ganha com a difusão de tecnologias, com o volume de negócios que são construídos devido ao auxílio dos residentes e com o desenvolvimento regional e de seu povo”, afirma o professor orientador. 

Egresso do curso de agronomia da Universidade Federal do Cariri (UFCA), Luís Luna, 27 anos, participa do projeto no Ceará e destaca as oportunidades. “Políticas públicas como esta são de fundamental importância tanto para pequenos e médios produtores rurais, que muitas vezes não têm acesso à assistência técnica especializada, como para jovens, como eu, que necessitam de experiência para adentrar no mercado. O conhecimento prático, com certeza, servirá como base para o futuro profissional que estou construindo”.


Professor orientador Vinícius Calou e aluno residente Luís Luna em atividade

No Pará, o projeto “Unindo a Teoria com a Prática” também iniciou as atividades, com nove residentes. Em unidades demonstrativas de campo, eles trabalham com manejo da soja e do milho, e vivenciam o dia a dia da assistência técnica agronômica.

O engenheiro agrícola e professor orientador, Eloi Gasparin, destaca a necessidade de mão-de-obra qualificada para atender a demanda de desenvolvimento agrícola crescente na Região Norte.

“A residência profissional agrícola vem com o objetivo de sanar lacunas que se fazem presentes e que se tornam obstáculos para que a região alcance números ainda maiores em termos de produtividade e desenvolvimento agrícola. Oferece para os alunos egressos um excelente complemento na sua formação, pela prática vivida na rotina do produtor, e, por consequência, fornece assistência técnica supervisionada ao produtor, que alcança maior produtividade pelo manejo adequado dos seus recursos naturais”, afirma Gasparin.              

Graduada em agronomia pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Jennifer Gomes, 24 anos, busca oportunidades a partir da residência. 

“O AgroResidência vai colaborar com o aprofundamento dos meus conhecimentos práticos e teóricos, ampliando minhas possibilidades de atuação na minha área de formação, além de aumentar, significativamente, minha confiança como profissional”, explica a residente.

Quem também está animado com o início das atividades é o residente Nalbert Ramon, de 23 anos, formado em agronomia na UFOPA. “Minhas expectativas com o projeto são de vivenciar uma experiência real de trabalho, podendo acompanhar todos os processos, atividades e dificuldades do dia a dia no campo”, afirma.


Residentes em atividades de campo no Pará
Foto: Divulgação/Mapa

Como funciona o AgroResidência                        

Por meio de Editais de Chamamento Público, o Mapa seleciona propostas apresentadas por instituições de ensino de todo o país para a qualificação técnica dos estudantes. Após o processo de seleção, o resultado é divulgado no portal do Mapa.

Os interessados na residência profissional agrícola devem entrar em contato com as instituições de ensino escolhidas para obter informações sobre a seleção dos residentes. Cada instituição determina os próprios critérios e procedimentos de seleção, respeitando o estabelecido pelo Programa.

>> Clique aqui para conferir a lista de projetos do AgroResidência 

O AgroResidência é voltado para jovens, com idades entre 15 e 29 anos, estudantes ou recém-egressos de cursos de nível médio ou superior de ciências agrária e afins. Os estudantes deverão ter cursado todas as disciplinas e os egressos deverão ter concluído o curso há, no máximo, 24 meses – inicialmente o prazo era de 12 meses, mas foi ampliado devido à pandemia do coronavírus e deve seguir assim até dezembro 2021.

São custeadas as bolsas para residentes e professores orientadores, havendo a possibilidade, em alguns casos, de custeio de bolsa para coordenador técnico e administrativo. A política pública prevê, ainda, custos com a participação de residentes, professor orientador, técnico orientador e de colaboradores eventuais em reuniões, oficinas, seminários, congressos e afins.

São consideradas Unidades Residentes para a realização das atividades: fazendas ou unidades de produção, empresas do agronegócio, cooperativas, empresas de assistência técnica, nacionais ou internacionais, da administração direta e indireta, e a sociedade civil organizada.

A Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo (SAF) do Mapa, por intermédio do  Departamento de Desenvolvimento Comunitário, é responsável por coordenar as ações de implementação do AgroResidência, instituído por meio da Portaria nº 193, de 16 de junho de 2020.Os recursos federais para o programa totalizam R$ 17,1 milhões.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail programa.residencia@agricultura.gov.br

Ouça a matéria na Rádio Mapa

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)

Elas têm nome, sobrenome, carteira de identidade e endereço fixo, mas a distância da cidade e dos órgãos de apoio dos governos por muito tempo fez delas mulheres invisíveis.

Além de representarem milhares de famílias do meio rural no Espírito Santo, o que mais Valdineia (Mantenópolis), Marineuza (Pinheiros), Izamara (Conceição da Barra), Heliamar (Água Doce do Norte) e Telma (Boa Esperança) têm em comum é o fato de não serem percebidas pela sociedade. E como chegamos até elas é o que vamos contar nesta reportagem especial.

As agricultoras estão entre as 1.577 famílias capixabas selecionadas para participar do Projeto Dom Helder Câmara, executado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater).

O extensionista e coordenador do projeto pelo Incaper, Ivanildo Küster, explica que o objetivo do ‘Dom Helder’ é atender justamente o público “invisível”, ou seja, o proprietário rural que não é assistido pelas empresas privadas e nem pelo serviço público, com raríssimas exceções. “Na maioria das vezes essas famílias são invisíveis para a sociedade. Nós extensionistas passamos a conhecer a realidade de muitas delas a partir do projeto, o que nos trouxe preocupações, pois muitas vezes presenciamos situações que nos deixaram perplexos”, relata o coordenador.

Küster ressalta ainda que, além do recurso financeiro e da extensão rural, o projeto levou a esperança de uma vida melhor.“Essas famílias não receberam apenas dinheiro e conhecimento de práticas agrícolas, mas também informações sobre acesso a direitos básicos, princípios educacionais para jovens e adultos com objetivo de alterar hábitos e mudanças de pensamento. Receberam o que talvez tenha sido o mais importante: a esperança de uma vida melhor”, explica.

“O programa renovou todas as nossas esperanças. Aconselho todo mundo a procurar ajuda porque o ‘Dom Helder’ transforma muitas vidas”, afirma Telma Oliveira da Silva (39), cafeicultora do município em que até o nome inspira: Boa Esperança.

Estudos publicados em 2019 na revista “Policy in Focus” intitulada em inglês “Rural poverty reduction in the 21st century” (“Redução da pobreza rural no século 21”) apontam que cerca de 80% das pessoas extremamente pobres no mundo vivem em áreas rurais.

O agronegócio capixaba é destaque nacional. E a “Conexão Safra” vem contando isso ao Brasil sem distinção entre o agricultor familiar e o grande proprietário de terras. A diferença desta vez foi dar voz a quilombolas, jovens e mulheres transformando pequenos espaços em fonte de renda no meio rural.

Após quase quatro meses de produção, pesquisa e muitas mensagens trocadas com os extensionistas do Incaper, rodamos 670 km pelo norte e noroeste do Estado- cortando 17 municípios capixabas e um mineiro- para conhecer essas histórias de vida, empoderamento feminino e superação no campo. Confira!

CONCEIÇÃO DA BARRA

A água que rega o quilombo

Com acesso pela estrada da Vila de Itaúnas, em Conceição da Barra, a comunidade Angelim 2 foi o refúgio de muitos negros no período da escravidão no Brasil.

Os plantios comerciais de eucalipto no caminho parecem proteger as dezenas de famílias quilombolas do lugar. Mas a paisagem é muito atual para imaginar qual seria a barreira natural dos cativos para evitar o trabalho forçado e manter as tradições longe da vista do homem branco.

É ali que vive Izamara dos Santos de Oliveira (38), casada e mãe de seis filhos. A descendente de escravos nasceu em Angelim 2 e sempre viveu da agricultura. Izamara é uma das “guerreiras” da comunidade, onde sempre foram as mulheres que “batalharam na horta, na roça, no pesado”, enquanto os homens continuam a sair para trabalhar na cidade.

As diversas plantações de urucum, aipim- só para citar as mais tradicionais entre os quilombolas- e de verduras e legumes não prosperavam com a escassez de água para irrigação. Até que Izamara viu “raiar a liberdade no horizonte” quando o Incaper lhe apresentou o Projeto Dom Helder Câmara.

O fomento em dinheiro permitiu à agricultora reformar a horta orgânica, comprar enxada, mangueira e caixa d’água há um ano e meio. A irmã, Ivamara, é outra beneficiada pelo programa.

Para Izamara, o recurso fez toda a diferença na vida da família. “Eu não tinha condições financeiras para fazer o que foi feito aqui na horta. Os equipamentos melhoraram a produção, que precisa muito de água. Antes, eu plantava e os legumes e verduras murchavam porque não tinha como molhar. Não dava aquela coisa bonita. Às vezes eu semeava as sementes, que nem nasciam por falta d’água. Eu tinha que trazer de regador”, diz.

Pandemia

A pandemia da Covid-19 por pouco não isolou ainda mais Izamara e outros moradores do quilombo. Os agricultores entregavam alimentos para a merenda escolar e participavam da feirinha de Conceição da Barra. Desde o início do surto da doença, as entregas foram reduzidas. E com o kit merenda, os pedidos são mais escassos que antes da suspensão das aulas.

A Suzano, que apoia a construção da Casa de Farinha em Angelim 2, também ajudou com a realização de uma feira on-line. “Chegou a estragar muita verdura, que foi usada para alimentar porcos e galinhas. E vender por telefone não é a mesma coisa que presencialmente”, afirma.

Apesar das dificuldades, Izamara nos dá um sorriso gratuito e verdadeiro. Uma mulher que se sentia invisível antes de ser selecionada pelo ‘Dom Helder’ e que nunca deixou de sonhar. A curto prazo, a agricultora quer terminar a casa, “bater uma laje”, para viver com mais conforto com cinco dos seis filhos. É a tradução da qualidade de vida almejada com a renda da horta orgânica. O outro sonho é uma vida mais digna para os jovens pretos no campo.

“Gostaria de ver meus filhos e netos vivendo como fui criada. Infelizmente, os adolescentes quando completam 18 anos querem ir embora e arrumar serviço na rua. Eles pensam: ‘isso não é pra mim, não aguento isso não’. Mas a gente tenta o máximo possível mostrar pra eles que a tradição tem que continuar. Deveria haver mais projetos que incentivassem os jovens a permanecer no campo, mas podendo fazer faculdade no lugar onde vivem”, conclui Izamara.


PINHEIROS

A esperança que vem da ‘Flor da Paixão’


Nossa segunda parada é a localidade de 15 de Maio, na zona rural de Pinheiros. Apesar de pertencer ao município, fica a apenas 12 km do centro de Pedro Canário.

Depois de cortarmos lavouras de café conilon e pimenta-do-reino (preenchendo a paisagem plana típica do Extremo Norte capixaba) encontramos a casinha verde onde moram Marineuza Rodrigues de Brito (59) e o filho caçula, Romário Barreto Martins (24), duas joias inspiradoras da agricultura familiar do Espírito Santo.

E se para Marineuza ela é o “caroço do abacate” na vida do jovem para tocar as atividades no Sítio Santa Maria (onde herdou 1,5 alqueire do pai) é a flor do maracujá que brota esperança para a dupla.

A agricultora foi contemplada pelo Projeto Dom Helder Câmara e escolheu implantar uma lavoura irrigada com 120 pés da fruta. O recurso contribuiu para adquirir calcário, arame, estacas de eucalipto tratado e criar um setor de irrigação com 21 aspersores.

Além do maracujá, mãe e filho aproveitam o terreno com rotação de cultura, não deixando faltar quiabo, maxixe, aipim, milho, feijão de corda, abóbora, batata doce, abacaxi, melancia, sem contar café conilon, pimenta-do-reino, banana e cacau. Aram o terreno e plantam a área novamente assim que finalizam a colheita de uma das culturas.

A Flor de Maracujá simboliza a Paixão de Cristo, por isso é também conhecida como “Flor da Paixão”. Conta-se que, ao chegarem à América, os missionários europeus se encantaram com a exuberância da flor e associaram alguns dos elementos da planta ao calvário de Cristo.

Transformação

Nesta área de abrangência da Superintendência para Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que também conta com a forte atuação do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), a seca sempre foi realidade para os agricultores.

Na família Brito, as coisas começaram a mudar nos últimos oito anos com a introdução da irrigação no café, no mesmo terreno cultivado com feijão e milho. Um irmão de Marineuza deu uma bomba d’água para ela e o filho aumentarem a produção de feijão e venderem junto com ele na feira. Mas a colheita era tão inexpressiva que a dupla não conseguia atender à demanda pelo grão.

A agricultora e Romário queriam ir além. A ideia era transformar uma área improdutiva devido à escassez de água com a implantação de uma nova cultura. O fomento do ‘Dom Helder’ foi decisivo, pois permitiu cultivar com sucesso o maracujá. “Toda semana a gente leva maracujá para a feira no carro do meu irmão. O Projeto Dom Helder foi muito bom na minha vida”, diz Marineuza.


O acesso à assistência técnica de um órgão público só chegou com a benção do programa. A família recebeu orientações para análise do solo para adubação correta e o manejo sanitário do maracujá. “Antes do benefício do projeto, a informação era muito vaga quando a gente relatava um problema na lavoura para os técnicos. Só tínhamos a internet como fonte de pesquisa”, afirma Romário, que também é o atual presidente da Associação dos Pequenos Agricultores do 15 de Maio e Região (Apaqmar).

Além da feira em Pinheiros, os agricultores entregam legumes e verduras para o programa de Compra Direta de Alimentos (CDA), voltado a instituições sociais, e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A pandemia dificultou muito a comercialização. No início, mãe e filho ficaram um mês sem vender, mas não chegaram a perder a produção, que foi doada em família. Em abril deste ano, mais três semanas amargas por conta do “lockdown” no Estado. A dupla se desdobrou como pôde, vendendo mais barato que na feira e para supermercados da região.

“A pandemia atrapalhou demais os trabalhos dos dois lados. Não era possível ir até os produtores fazer os acompanhamentos da forma como estavam programados. Do outro lado, eles reduziram as vendas por não poder sair de casa para comercializar os produtos, frutos do projeto”, destaca o extensionista local do Incaper, Joessé de Oliveira Junior.

E aos poucos, o passado de humilhações de quando mãe e filho colhiam café nas fazendas da região vai ficando para trás. Marineuza diz se orgulhar do caçula e que continua o ensinando a lutar pelos sonhos dele. Um sonho a quatro mãos e extraído da terra.

“Sempre expus as dificuldades para o meu filho, o que devemos fazer para manter nossa casa, não passar vergonha devendo e ter o nosso nome limpo. Graças a Deus estamos vencendo, só vitória. E o Projeto Dom Helder aqui deu certo!”.


BOA ESPERANÇA

Paraense conhece o café e desiste da cidade

Gratidão define o sentimento da cafeicultora Telma Oliveira da Silva (39), de Boa Esperança, com o benefício do Projeto Dom Helder Câmara. Paraense de Marabá, Telma conheceu o marido, Dyoni de Miranda Santos (38), na capital paulista. Ele saiu ainda jovem do Espírito Santo para tentar a vida na “Selva de Pedra”.

Dyoni não ganhava mal. Porém, a bronquite asmática da primogênita, Letícia (11), ficou cada vez mais prejudicada pela poluição da maior cidade da América Latina. “A Letícia foi internada várias vezes enquanto eu ainda estava grávida do caçula. Ali foi o meu limite”, lembra.

O agravamento da doença da filha e a sogra em tratamento de câncer pesaram na decisão dela e do marido se mudarem para o Estado. O casal e os dois filhos chegaram a morar em casa emprestada por um fazendeiro próximo da família dele, na localidade de Cinco Voltas, interior do município.

Foi um período difícil, trabalhando como meeiros, mas, dois anos depois, a mãe de Dyoni dividiu as terras entre os filhos e um novo horizonte surgiu. A filha da Amazônia nunca tinha visto um pé de café e é justamente o “ouro verde” que permite a Telma concretizar seus sonhos com o apoio do ‘Dom Helder’.

Com os R$ 2.400 do fomento, Telma preparou o terreno, comprou adubo natural e plantou 1.000 pés de conilon com a assistência técnica do Incaper. “Veneno, só pra matar o mato”. Um ano depois, com a documentação da propriedade legalizada, o casal conseguiu, por meio de cada CPF, o crédito de R$ 5.000 do Pronaf B, via Banco do Nordeste, para investir em irrigação.

A lavoura está em pleno desenvolvimento. Enquanto não ocorre a primeira catação, Telma faz renda com banana, abóbora, aipim e milho verde plantados entre as carreiras de café. Vende tudo na feira semanal, para onde ainda leva pamonha e bolo de milho. “Antes da pandemia, eu fazia R$ 200 por sábado na feira”, diz”.

Apesar da suspensão da feira, o casal continuou cuidando das lavouras e mantendo as entregas de verduras e legumes sob encomenda por telefone. E fazendo jus ao nome do município onde conhecemos essa heroína, é da boa esperança e da fibra firme como a juta amazônica que Telma promove sua revolução tímida na roça onde vive mais feliz com a família.

“Vamos plantar mais mil mudas de café e duzentas de pimenta-do-reino. Se Deus quiser, dentro de algum tempo isso vai se transformar em algo muito maior”, aposta. Além da sonhada casa, outra prioridade da cafeicultora é implantar a fossa séptica e garantir adubo para a lavoura.

“O ‘Dom Helder’ foi mais que um empurrão. Foi essencial para a gente mudar de vida. Agora vamos poder fazer nossa casinha através das portas que o café vai abrir. O programa renovou todas as nossas esperanças. Aconselho todo mundo a procurar ajuda no Incaper, porque o projeto transforma muitas vidas”.


ÁGUA DOCE DO NORTE

500 pés de café e o sonho de fazer qualidade


A reportagem da “Conexão Safra” pega a estrada pelo segundo dia de incursão no noroeste do Espírito Santo.

Com o trocadilho, no segundo dia fomos direto à fonte em Água Doce do Norte, no noroeste do Estado, para uma prosa com Heliamar Alves (42). Uma mulher rural que faz muito com pouco na comunidade da Cabeceira do Córrego do Garfo, a 14 km do centro.

O projeto dela é pura ousadia: produzir café de qualidade. A chance de colocá-lo em prática foi o recurso financeiro do Projeto Dom Helder Câmara para plantar 500 pés de conilon a partir de novas e diferenciadas práticas agrícolas sob assistência do Incaper.

A agricultora e o marido, Juarez Inácio da Silva (47), já cultivavam 1.500 pés que nunca chegaram a produzir pra valer pela inexperiência com a cultura. “Já faz quatro anos que nem chega a fazer colheita”, conta ela. Heliamar conta que soube do programa por meio de uma amiga e logo procurou o escritório local do Incaper para se informar.

“Vi que era verdade e foi muito bom, porque se não fosse o recurso, não teria condições. O dinheiro deu para arrumar a terra, comprar as mudas e o adubo e, com orientações, limpamos o terreno que era tudo capoeira. Foi um ‘empurrãozão’ pra frente, e agora é continuar firme. O que a gente colher a gente quer investir. O ‘Dom Helder’ faz a gente sonhar”.

Café bebida


Longe de tudo. Quase invisível. Heliamar tinha tudo para não dar certo…“Trata-se de uma família bem excluída, que muito dificilmente iria se desenvolver sem a assistência do ‘Dom Helder’. A visão que eles aprenderam foi o maior ganho. Viram na prática, a partir das 500 plantas, como aplicar conhecimento numa pequena área. Heliamar e Juarez não têm vício em bebida e drogas. Infelizmente, muitas famílias atendidas pelo programa não foram para frente por causa desses problemas”, avalia o extensionista do Incaper de Água Doce do Norte, Carlos Marcos Alves dos Santos.

E Heliamar enche de positividade sua labuta diária. É porque vê além do alcance. A meta é, na primeira catação dos 500 pés, colher “madurinho, não deixar azedar no terreiro suspenso…”. Participou de três cursos e decidiu aprender mais sobre cafés de qualidade.
O estalo veio após um evento em Mantenópolis antes da pandemia.

“Vi um produtor no meio de tantos ganhar um prêmio de qualidade. Pensei: ‘não preciso ir tão longe para fazer o mesmo aqui’. Depois que descobri ser possível fazer café de bebida com conilon, não penso em outra coisa. E o projeto ‘Dom Helder’ me fez sonhar”, diz a cafeicultora.

Os primeiros grãos maduros já começaram a aparecer. A primeira catação está prevista para maio deste ano, mas a quantidade produzida não irá indicar o potencial produtivo da lavoura modelo. Porém, o extensionista do Incaper de Água Doce do Norte estima colheitas futuras com média superior a 80 sacas/hectare (a parte do casal na propriedade é de 3 alqueires, o equivalente a 2,72 ha).

“Acredito que essa família vá chegar a dez mil covas de café”, prevê Carlos Marcos. Com as previsões otimistas, a ideia do casal é melhorar as lavouras já existentes e, com a soma da produção dos 500 pés do ‘Dom Helder’, colher 20 sacas/ha em 2022. A venda dos grãos da primeira catação do projeto pioneiro “será reservado para o adubo do ano inteiro e remédios para a lavoura”. E o casal quer plantar mais um pedaço.

“Se eles tivessem plantado numa área maior, não teriam recurso para custear a lavoura e poderiam até abandoná-la. A visão que o casal tem hoje é o maior ganho. Uns agricultores até têm conhecimento, mas na ganância de fazer um projeto grande voltam à estaca zero”, conclui Carlos Marcos (Incaper).

Heliamar diz gostar de aprender e compartilhar conhecimento com outras mulheres. Uma revolução feminina na cafeicultura está por vir. E onde a “água é doce”, cafés adocicados naturalmente poderão virar notícia.



MANTENÓPOLIS

A multiplicação dos peixes na ‘Cidade da Paz’

E para chegar ao último município do roteiro, precisamos contornar por Minas Gerais para voltar ao território capixaba. A divisa do noroeste do Espírito Santo com Minas é tão sutil que só nos damos conta ao avistar, na rodovia com sentido a Governador Valadares, o monumento que lembra a Guerra do Contestado.

Entre as décadas de 1940 e 1960, a região foi alvo de disputas sangrentas entre mineiros e capixabas. É por isto que tem Mantena, em Minas, e Mantenópolis, no Espírito Santo. E agora nosso destino, Mantenópolis, é conhecido como “Cidade da Paz”.

Chegamos ao município pelo caminho mais curto, porém mais desafiador, a estrada de terra da Serra do Turvo. No meio do caminho, no Córrego das Flores, vive a piscicultora Valdineia Almeida da Silva (33).

Casada, mãe de dois filhos e criada na roça, Valdineia exala felicidade por ser mulher rural. Um sentimento potencializado ainda mais depois de atendida pelo Projeto Dom Helder Câmara para tocar a criação de peixes na propriedade.

O sítio pertence à família desde 2003 e já tinha um pesqueiro pequeno para consumo próprio. Com o recurso, a piscicultora contratou o serviço de retroescavadeira para aumentar o açude e comprou sementes e adubo para incrementar uma horta que já fornecia para a merenda escolar da rede municipal. A entrega das hortaliças ficou comprometida com a suspensão das aulas.

Valdineia diz que é uma grande satisfação para ela e a família ver o pesqueiro cheio e as pessoas passando curiosas na estrada. Na cidade não tem peixaria. Agora tem mineiro, tem pacu, tem tilápia… “Antes da pandemia, tinha gente que vinha aqui pescar, pesar e levar o peixe. Meu neném gosta demais de pescar. Estou muito feliz de participar do projeto”.

Valdineia já realizou duas retiradas para esvaziar o açude desde a implantação do projeto. A medida é para evitar o ataque de lontras. Mas foi na puxada de rede da Semana Santa que o pesqueiro se esvaziou para o bolso encher. O feriado bateu recorde de vendas de peixe fresco por meio do WhatsApp. Só de tilápia foram 76 kg.O celular ajudou muito, porque é difícil ficar sem trabalhar com o povo, que quer tocar na mercadoria. Mesmo tirando foto, o povo quer ver se o peixe está com o olho e a escama brilhando”.

Num dos esvaziamentos do pesqueiro, a ideia era fazer os berçários, mas o projeto ficou para quando a pandemia passar. A água do lago é utilizada ainda para irrigar café e hortaliças e passou a ser uma forma de acumular a água da chuva. “A assistência do Incaper foi espetacular. Só tenho que agradecer ao Claudinei (o Silva, extensionista do instituto). Antes do programa, não tinha este tipo de atendimento, os técnicos não tinham diálogo comigo, mesmo eu tendo a horta”, conta.

Valdineia tem metas para quando a crise da Covid-19 passar. A principal é filetar os peixes, uma exigência da prefeitura para fornecer o alimento para a merenda escolar. Ela participou de cursos de filetagem em Santa Teresa e sonha em adquirir um congelador e conquistar o selo de inspeção.

A piscicultora afirma que foi a única a escolher a atividade e não se arrepende, pois sente inspirar outras iniciativas femininas. “Gosto do que faço, faço com amor. Com o pouco que temos somos felizes. Tudo que sai daqui traz benefício para minha família, meu irmão e meu pai aposentado. Sou muito feliz de ser selecionada dentre 22 pessoas candidatas e espero que o projeto ajude outras mulheres. Não conheci Dom Helder, mas aqui está um pouco dele”, afirma.

Outro sonho é viver apenas da piscicultura, uma vez que se desdobra com faxinas na cidade, onde mantém uma casa, embora admita avanços. “Acredito que não estou só começando, já estou no meio da viagem”. Certa de suas escolhas, Valdineia é grata pela oportunidade do Projeto Dom Helder Câmara.

“Toda conquista me deixa fortalecida e me possibilita ir além. Fico feliz de participar porque minha mãe não teve a mesma oportunidade. O apoio me impulsiona mais porque, se eu consegui, outras mulheres vão conseguir. Você passa a ser o espelho na piscicultura local. E o ‘Dom Helder’ me deu essa oportunidade e vou abraçá-la de coração”, finaliza.


O Projeto Dom Helder Câmara

Iniciado em 2001, o Projeto Dom Helder Câmara é um programa de ações referenciais de combate à pobreza e apoio ao desenvolvimento rural sustentável na região do semiárido brasileiro.

Atualmente, o programa atua em 913 municípios em 11 estados da federação com a expectativa de prestar serviços de assistência técnica e extensão rural por cerca de três anos a aproximadamente 60 mil famílias. As ações beneficiam diretamente em torno de 126 mil pessoas. Um dos requisitos é estar inscrita no CadÚnico.

O projeto é desenvolvido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em conjunto com a Anater e várias instituições que prestam serviços de assistência técnica e extensão rural, por meio de um acordo de empréstimo firmado entre o governo brasileiro e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).

Dom Helder Câmara no Espírito Santo

No Espírito Santo são 1.577 famílias atendidas, beneficiando diretamente 4.051 pessoas. Inserido no projeto em 2016, devido à sua região semiárida, o Estado iniciou as atividades em 2017. Ao todo foram beneficiadas famílias de 28 municípios localizados na área de abrangência da Sudene.

O projeto é executado pela empresa privada Diamantina Agrícola Projetos, que atua em oito municípios, atendendo 565 famílias, com um contrato no valor de R$ 1.008.688,20, e pelo Incaper, em 20 municípios, abrangendo 985 famílias, com um contrato no valor de R$ 1.534.479,00, por meio de um instrumento específico de parceria com a Anater.

Das 1.577 famílias beneficiadas no Espírito Santo, 985 são atendidas pelo Incaper. Dessas, 363 obtiveram direito a um fomento para implantar o projeto produtivo no valor de R$ 2.400,00 cada, movimentando um total R$ 871.200,00.

Para esse grupo de famílias foram feitas 3.606 visitas individuais de assistência técnica e extensão rural e 46 atendimentos coletivos, por meio de cursos, excursões, reuniões, dias de campo, entre outros.

Em parceria com as famílias foram elaborados 713 planos de trabalho. O projeto contou com 18 unidades de referência, de acordo com a aptidão de cada município. Os municípios atendidos pelo Incaper foram: Água Doce do Norte, Alto Rio Novo, Baixo Guandu, Boa Esperança, Colatina, Conceição da Barra, Governador Lindenberg, Linhares, Mantenópolis, Marilândia, Montanha, Mucurici, Pancas, Pedro Canário, Pinheiros, Ponto Belo, Rio Bananal, São Domingos do Norte, São Mateus e Sooretama.

Quem foi Dom Helder
Dom Helder Pessoa Câmara nasceu em Fortaleza, no dia 7 de fevereiro de 1909, e faleceu no dia 28 de agosto de 1999, em Recife, aos 90 anos. Por sua luta pelos direitos humanos, justiça e contra o autoritarismo, foi indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz. “O maior dos mandamentos é amar a Deus de todo coração, mas há um mandamento igual que é amar o próximo”, dizia ele.

*Foto: Reprodução ArqRio

Fonte: Conexão Safra

O recebimento de bônus do PGPAF ocorre quando o valor de mercado de algum dos produtos do programa fica abaixo do preço de referência

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou, na última sexta-feira (7), a relação dos produtos agrícolas com bônus de desconto no mês de maio para agentes financeiros operadores do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

A lista com os produtos e os estados contemplados pelo Programa de Garantia de Preços para Agricultura Familiar (PGPAF) tem validade para o período de 10 de maio a 9 de junho deste ano, conforme a Portaria Nº 21, da Secretaria de Política Agrícola.

Os produtos com bônus de desconto nas operações e parcelas de crédito rural são: açaí (fruto), banana, cará/inhame, castanha de caju, juta/malva, manga, maracujá e uva. Os estados que integram a lista deste mês são: Acre, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Espírito Santo, Piauí, Amazonas, Sergipe, Goiás e Santa Catarina.

O recebimento de bônus do PGPAF ocorre quando o valor de mercado de algum dos produtos do programa fica abaixo do preço de referência, permitindo ao produtor utilizar o valor como desconto no pagamento ou amortização nas parcelas de financiamento no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). 

Os descontos de todos os cultivos são calculados mensalmente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e divulgados pelo Mapa.

Para mais informações entre em contato com a equipe técnica pelos endereços eletrônicos: pgpaf.spa@agricultura.gov.br ou pronaf.spa@agricultura.gov.br.  

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)