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Brasília, 03/06/2026 – A Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), vinculada ao Governo do Brasil, iniciou em maio o processo de monitoramento do trabalho das Assessorias Técnicas Independentes (ATIs) que contratou para atuar junto às comunidades atingidas na Bacia do Rio Doce. A Anater executa 4 anexos do eixo rural do Novo Acordo do Rio Doce por designação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

O monitoramento foi realizado pelas equipes da Gerência Extraordinária de Reparação do Rio Doce da Anater/MDA, em cinco ATIs de Minas Gerais, no Alto e Médio Rio Doce. Ao longo de uma semana, os analistas de Brasília realizaram reuniões técnicas nos escritórios das assessorias, além de espaços participativos com as comunidades atendidas nos municípios de Mariana, Acaiaca, Timóteo, Rio Casca, São José do Goiabal, Ipatinga, Governador Valadares e Tumiritinga.

Conquista dos atingidos

“Nossa equipe visitou as ATIs que estão trabalhando a mais tempo nas comunidades atingidas em Minas Gerais”, explica Adriana Aranha, Gerente Extraordinária de Reparação da Bacia do Rio Doce. “Indo a campo para ouvir as equipes das ATIs e as próprias comunidades, conseguimos captar os principais desafios enfrentados nesse novo formato de assessoria e assegurar um processo pleno de reparação”. As ATIs, lembra Adriana, “são uma conquista das atingidas e atingidos garantida pela Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB), assinada em 2023, pelo presidente Lula”.

O trabalho das ATIs é dar todo o suporte às comunidades atingidas sobre os anexos do Novo Acordo, quais programas e projetos estão definidos e como acessar as políticas de reparação. “As ATIs têm um papel muito importante na Bacia do Rio Doce, que é estar dentro dos territórios prestando todo o suporte necessário para que as atingidas e atingidos acessem as políticas e os recursos da reparação”, completa a gerente.

A coordenadora de ATIs na Gerência do Rio Doce/Anater, Flavia Gondim, acompanhou o início do monitoramento no Alto e Médio Rio Doce, em Minas Gerais. 
Para ela, a presença da gerência no território contribui para fortalecer a escuta e acompanhar de forma mais próxima as demandas apresentadas pelas comunidades. “Mais do que acompanhar os contratos das ATIs, o monitoramento é um momento para estar junto das equipes de assessoria nos territórios, presenciar como esse trabalho vem sendo realizado e como o direito das pessoas atingidas está sendo garantido”.

A Anater, através da Gerência do Rio Doce, é a responsável por contratar as assessorias escolhidas pelas comunidades, reforça Flavia, portanto, “é nosso papel estar junto das ATIs e contribuir para a superar os desafios que aparecem pelo caminho. Queremos fortalecer ainda mais o direito a esse atendimento direto às pessoas atingidas na Bacia Rio Doce”, completou.

Direitos

As ATIs estão definidas no Novo Acordo como ferramentas de promoção da participação da população e atuam nos territórios fortalecendo a autonomia e capacidade de decisão dos atingidos. Para Silvana Maria Gonçalves, 56 anos, atendida pelo Centro Agroecológico Tamanduá (CAT) e moradora de Tumiritinga (MG), foi por meio do trabalho da ATI que a comunidade teve acesso às informações do Novo Acordo. “Recebemos informações que até então não conhecíamos. Foi por meio desse trabalho que passamos a entender nossos direitos e o que poderíamos buscar dentro do processo de reparação”.

Ednilson Gomes da Silva, morador da comunidade de Cachoeira Escura, em Belo Oriente (MG) atendido pela Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas), também destacou a importância da ATI no processo de reparação. “Nós não tínhamos conhecimento jurídico e não sabíamos quais caminhos seguir. Depois que a Aedas chegou, passamos a entender que era preciso agir legalmente, com orientação e informação. É uma equipe preparada, que nos mostrou que, com perseverança e do jeito certo, poderíamos conquistar vitórias. Ainda estamos na luta, mas já tivemos grandes avanços”.

Como é o monitoramento

O processo de monitoramento busca acompanhar a execução dos planos de trabalho, metas e atividades de atendimento técnico às comunidades atingidas, avaliando como as ações são desenvolvidas pelas ATIs nos territórios e identificando os principais desafios enfrentados. O processo vai acontecer de seis em seis meses e é dividido em diferentes etapas como acompanhamento de espaços participativos nos territórios e aplicação de questionários junto às ATIs.

No Alto e Médio Rio Doce, foram monitoradas a Assessoria Técnica Independente dos Garimpeiros Tradicionais do Alto Rio Doce (AGITA), Cáritas Diocesana de Itabira, Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas), Cáritas Diocesana de Governador Valadares e Centro Agroecológico Tamanduá (CAT). Segundo o coordenador da Unidade Territorial do Alto Rio Doce, Marcos Nunes, que também acompanhou a comitiva, “o objetivo final é que o trabalho das ATIs dê certo. Nós queremos fazer com que as ações cheguem aos atingidos. Nosso papel é de parceria com as ATIs para que isso aconteça”.

Wellington Moreira Azevedo, coordenador-geral da Cáritas Governador Valadares aponta que os recursos estão sendo investidos para garantir o protagonismo e o empoderamento das pessoas atingidas nos territórios. “São elas que enfrentam diariamente os desafios para a sua sobrevivência e da sua família. É nesse processo que a reparação acontece. As próprias comunidades reconhecem esse papel ao afirmarem que participaram da escolha da Assessoria; eles falam abertamente: ‘nós colocamos a Assessoria em campo, esses profissionais estão a nosso serviço’. E nós temos todo o cuidado para que realmente as pessoas atingidas sejam os protagonistas do processo”, afirma.

Neste mês, a Gerência do Rio Doce inicia o monitoramento de ATIs que atuam nos territórios do Baixo Rio Doce, no Espírito Santo. As atividades serão realizadas junto às ATIs ADAI e ASPERQD nos territórios de Baixo Guandu (ES), Colatina e Marilândia (ES), Regência (ES), Povoação (ES), Linhares (ES), Macrorregião Litoral Norte Capixaba e Norte de Linhares (ES), além de Degredo (ES).
Nos 11 meses de atuação da Gerência Extraordinária do Rio Doce da Anater/MDA, já foram assinados 20 contratos de Assessorias Técnicas Independentes, com R$ 83 milhões pagos para realização do trabalho.

Texto: Manoela Frade, Núcleo de Comunicação Social GEREX/Anater/MDA

Fotos: Maisa Pereira, Gerex Rio Doce Anater/MDA

Profissionais vão atender assentamentos do projeto de regularização ambiental, fundiária e assistência técnica do programa na Amazônia Legal.

Liderado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Programa União com Municípios (UcM) realizou a capacitação de 450 profissionais de assistência técnica, que atuarão em seis estados da Amazônia Legal. A formação on-line, realizada pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), ocorreu entre 12 e 15 de maio e recebeu profissionais de diversas áreas indicados pelas entidades selecionadas em chamada pública.

Também integram a parceria o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). O curso on-line do União com Municípios é a maior experiência de formação instrumental da história da Anater. A atividade abordou metodologias de atendimento às famílias, diagnósticos e rotas do programa, planejamento de ações e políticas públicas, além de instrumentos de parceria.

A capacitação faz parte do projeto de regularização ambiental, fundiária e assistência técnica do União com Municípios. Para ações nesse âmbito, foram investidos R$ 131,9 milhões do Fundo Amazônia, em iniciativas de controle do desmatamento. Ao todo, foram beneficiados 48 municípios prioritários do Amazonas, Acre, Pará, Mato Grosso, Rondônia e Roraima. Em conjunto, o projeto deve apoiar mais de 7,3 mil famílias nos próximos dois anos.

“Esses recursos foram investidos em territórios prioritários para o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), com foco em atividades de regularização fundiária e ambiental. Além do estímulo às atividades produtivas sustentáveis, promovem o avanço no controle do desmatamento e na segurança do uso da terra. Com esse apoio integral aos agricultores familiares da Amazônia, queremos melhorar a qualidade de vida dessas pessoas e demonstrar que reduzir o desmatamento gera renda e desenvolvimento”, explica o secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima.

Para a presidenta da Anater, Loroana Santana, o projeto é um trabalho coletivo que faz avançar a agenda de desenvolvimento sustentável na Amazônia. “Mais do que controlar o desmatamento e reduzir os incêndios florestais, esta iniciativa busca garantir o bem viver das populações amazônicas, com desenvolvimento sustentável pautado na justiça social, na soberania alimentar, na produção de alimentos saudáveis e na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas”, afirma.

Loroana Santana destacou que o projeto é um trabalho coletivo e simboliza o compromisso do Governo Federal com a Amazônia Legal. Foto: Marci Hences/Ascom Anater

O técnico em agropecuária e florestal Raimundo Henrique Martins, participante da formação, destaca que o curso ampliou sua visão sobre o papel do extensionista. De acordo com ele, prestar assistência técnica vai além do suporte no campo: envolve levar conhecimento, transformação e novas oportunidades às famílias participantes. “Minha expectativa é contribuir significativamente para a qualidade de vida dessas comunidades, promovendo desenvolvimento sustentável, inovação e melhoria da qualidade de vida no campo”, pontua.

Atendimento a agricultores familiares

Marcelo Trevisan, diretor do Departamento de Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, reforça a importância do diálogo permanente entre os entes federados, instituições governamentais e agricultores para promover o desenvolvimento local de forma eficiente. “Com este projeto do Programa União com Municípios, estamos levando políticas públicas para regiões onde até então elas não chegavam, facilitando o acesso da agricultura familiar ao crédito e a outras iniciativas fundamentais para o desenvolvimento sustentável”, disse o diretor do MMA.

O gerente extraordinário dos Programas para a Amazônia da Anater, Márcio Hirata, enfatiza o caráter inovador da iniciativa. “É a primeira vez que a Anater realiza, em âmbito nacional, uma ação que integra regularização fundiária, adequação ambiental e assistência técnica e extensão rural. O projeto também terá forte atuação na identificação das necessidades das famílias e na ampliação do acesso às políticas públicas, como o CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar), PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). Isso significa assegurar direitos, fortalecer a capacidade produtiva das famílias e contribuir para o desenvolvimento dos municípios”, explica.

A diretora técnica da Anater, Isabel Silva, destacou a importância histórica da iniciativa. “A construção deste projeto começou em 2023 e reflete o compromisso do governo com a transformação concreta dos territórios. Hoje, temos mais de 400 pessoas construindo essa trajetória para oferecer uma oportunidade de mudança na vida das famílias. Isso significa garantir acesso à documentação da terra, solucionar pendências ambientais e estruturar sistemas sustentáveis de produção de alimentos”, diz.

Ater União com Municípios

Desenvolvido em parceria com os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e com o Incra, o programa de Ater do União com Municípios representa um marco na integração de políticas públicas rurais.

Nesta primeira etapa, serão atendidas 7,3 mil famílias, entre ocupantes de terras públicas federais não destinadas e assentados da reforma agrária. O público prioritário é formado por agricultores familiares com imóveis de até quatro módulos fiscais (UFPAs), localizados em assentamentos ou glebas públicas federais.

Cada ciclo terá duração de 24 meses. No ciclo atual, serão investidos R$ 131,9 milhões, provenientes do Fundo Amazônia/BNDES. A meta é alcançar 130 mil Unidades de Produção Familiar (UFPAs) ao final de três ciclos.

O curso de formação instrumental foi ministrado pela Gerência de Formação da Anater.

Texto: Marci Hences – Ascom/Anater

Foto banner: Tamires Kopp.

Por Agência BNDES de Notícias – 15/05/2026

Deste total, R$ 22,5 milhões são para a regularização fundiária e ambiental nos 49 municípios de Minas e Espírito Santo atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão

Outros R$ 12,6 milhões serão investidos no desenvolvimento de atividades econômicas e de agroecologia de famílias que vivem em assentamentos na região

Regularização fundiária e ambiental é desafio em 60% do território do Novo Acordo do Rio Doce, afetando 2 milhões de hectares

Quase 90% dos imóveis rurais nos 49 municípios do Rio Doce pertencem a agricultores familiares, segundo dados do Incra

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) repassou R$ 35,14 milhões do Fundo Rio Doce para dois projetos de responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) que buscam contribuir para a retomada econômica em comunidades rurais da Bacia do Rio Doce. São iniciativas decorrentes do acordo de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015.

Uma das iniciativas contempladas é o Projeto Rio Doce Sustentável: construindo as bases para a retomada econômica, que será implementado nos 49 municípios mineiros e capixabas considerados atingidos. Ele é voltado para a promoção da regularização fundiária e ambiental de imóveis rurais de agricultores familiares, assentados da reforma agrária e comunidades quilombolas, com o objetivo de garantir segurança jurídica, inclusão produtiva e a retomada econômica.

Foi destinado ao projeto uma primeira parcela de R$ 22,53 milhões e novos desembolsos estão previstos para ocorrer até 2045, totalizando R$ 316,2 milhões. Os recursos irão custear ações para assegurar a regularidade cadastral, adequar as propriedades às normas ambientais, universalizar o georreferenciamento, garantir assistência técnica para uso de sistemas produtivos sustentáveis, viabilizar acesso ao crédito rural e fortalecer a governança territorial integrada. O projeto engloba ainda medidas para prevenir e mediar conflitos fundiários, além do desenvolvimento de uma plataforma tecnológica para apoiar a gestão, implementação e acompanhamento das ações.

“Com mais este repasse, o BNDES reforça seu compromisso com uma gestão eficiente do Fundo Rio Doce. Com a adoção de boas práticas de governança e de mecanismos de transparência que possibilitam o acompanhamento da execução dos projetos, contribuímos para que os recursos sejam aplicados de forma efetiva e que as ações de reparação avancem, alcançando quem precisa e gerando ganhos concretos para a população rural e para o meio ambiente”, disse Maria Fernanda Coelho, diretora de Crédito Digital para MPMEs e Gestão do Fundo do Rio Doce do BNDES.

Um estudo recente do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), realizado em parceria com o MDA, identificou que aproximadamente 2 milhões de hectares nos 49 municípios contemplados no Novo Acordo do Rio Doce possuem pendências de regularização fundiária e ambiental. Estas terras representam cerca de 60% da área desse território. Além disso, dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apontam que 89,8% dos imóveis rurais destes municípios possuem menos de quatro módulos fiscais, ou seja, a grande maioria são de agricultores familiares.

“A regularização fundiária contribui para a redução da insegurança jurídica e ambiental, o que é fundamental para a retomada econômica desses agricultores familiares, dos assentados e dos povos e comunidades tradicionais”, disse Moisés Savian, secretário de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental do MDA. “Esse projeto também dará uma contribuição decisiva para fomentar investimentos, impulsionar as atividades produtivas e fortalecer a resiliência das comunidades afetadas, assegurando o desenvolvimento sustentável e inclusivo no território”, acrescentou.

Vinculada ao MDA, a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) foi designada como gestora dos projetos. Para executar as ações previstas, ela firmou contrato de parceria com a Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (Fest), fundação de apoio associada à Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) mas que também atende outras instituições federais como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA).

A escolha levou em conta sua experiência em pesquisa aplicada, gestão de projetos e análise de dados. Nos últimos anos, a Fest destacou-se pela condução do Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática (PMBA), voltado à avaliação dos impactos do rompimento da barragem sobre a fauna aquática e os ecossistemas marinhos e costeiros capixabas.

Assentamentos – O outro projeto contemplado pelos recursos liberados é focado na retomada econômica e agroecológica de assentamentos na Bacia do Rio Doce. A primeira parcela destinada à iniciativa foi de R$ 12,61 milhões. Novos repasses estão previstos até 2028, totalizando R$ 49,95 milhões.

O projeto garante apoio para famílias assentadas em 14 municípios mineiros e oito capixabas. Elas contarão com assistência técnica para desenvolver, implantar e gerir sistemas agroalimentares de resilientes e sustentáveis. Também receberão suporte para adotar medidas que impulsionem a comercialização da produção.

A ausência de assessoria técnica especializada em agroecologia representa uma barreira crucial para o desenvolvimento dos assentamentos dessa região. De acordo com Patrícia Bourguignon, diretora da Fest, o projeto promove a recuperação socioambiental e produtiva da Bacia do Rio Doce, impulsionando a restauração de ecossistemas degradados pelo rompimento da barragem de Fundão e integrando sustentabilidade ambiental, soberania alimentar e crescimento econômico.

“Nosso trabalho é construído em cooperação direta com as famílias assentadas pela reforma agrária. A gente busca, junto com elas, desenvolver e fortalecer sistemas agroalimentares que sejam ao mesmo tempo resilientes e sustentáveis. Isso passa por apoiar a reestruturação produtiva dos assentamentos, sempre com base nos princípios da agroecologia e da economia solidária. Além disso, um ponto muito importante da nossa atuação é fortalecer a comercialização da produção agroecológica. Ou seja, não é só produzir de forma sustentável, mas também garantir que essa produção chegue ao mercado, gerando renda e melhorando a qualidade de vida dessas famílias”, disse Patrícia Bourguignon.

Repatuação – O rompimento da barragem de Fundão completou 10 anos em novembro de 2025. O Novo Acordo do Rio Doce, homologado em novembro de 2024, foi assinado entre a União, os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, a Samarco e suas acionistas Vale e BHP Billiton, além de instituições de Justiça como o Ministério Público e a Defensoria Pública. Foram repactuadas as ações que vinham sendo executadas desde 2016 e que não asseguraram, à época, a reparação integral dos danos. Em busca de soluções definitivas, estão previstos diversos programas a serem implementados em dezenas de municípios mineiros e capixabas.

O valor global do acordo é de R$ 170 bilhões, sendo R$ 32 bilhões em indenizações individuais e obrigações de fazer da Samarco e de suas acionistas Vale e BHP Billiton e R$ 38 bilhões já executados anteriormente. Os outros R$ 100 bilhões, a serem desembolsados pelas empresas ao longo de 20 anos, são destinados aos poderes públicos.

Repasses realizados pelo Fundo Rio Doce já superam a cifra de R$ 2,2 bilhões
Foto: Cata Caldeira / CBH Rio Doce

As parcelas que englobam ações de responsabilidade da União somam R$ 49,1 bilhões e são aportadas no Fundo Rio Doce, sob gestão do BNDES. Desse total, já foram recebidos R$ 6,4 bilhões, segundo balanço apresentado na semana passada na cidade de Mariana (MG) para um público formado majoritariamente por integrantes de comunidades atingidas. O evento fez parte da programação da Casa BNDES, uma iniciativa itinerante que busca apresentar as diferentes frentes de atuação do Banco, reunindo em um mesmo ambiente empresários, gestores públicos e toda população interessada em ter mais acesso a informações, serviços e oportunidades. A edição da Casa BNDES em Minas Gerais ocorreu em Belo Horizonte, Congonhas e Mariana entre 05 e 08 de maio e possibilitou ampliar o conhecimento das ações mais recentes vinculadas ao Fundo Rio Doce.

A liberação dos recursos pelo BNDES segue as diretrizes do Comitê do Rio Doce, instituído pelo Decreto Federal 12.412/2025 e coordenado pela Casa Civil da Presidência da República. Os repasses realizados desde o início das operações do Fundo Rio Doce em junho de 2025 superam a cifra de R$ 2,2 bilhões. Além dos projetos voltados para a retomada econômica em comunidades rurais, já foram destinados recursos para o programa de transferência de renda que atende pescadores e agricultores, para o fortalecimento da assistência social (Profort-SUAS), para iniciativas na área da saúde, para a descontaminação dos solos e para contratação de assessorias técnicas que dão suporte aos atingidos no processo de reparação, entre outras iniciativas.

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Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

O Programa de Transferência de Renda (PTR) Rural chega a 11ª parcela em maio, pagando R$ 38,6 milhões para 14.471 pessoas atingidas. Sob responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e executado pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), o PTR Rural é uma das medidas de reparação do Novo Acordo do Rio Doce, renegociado pelo Governo do Brasil.

A presidenta da Anater, Loroana Santana, comemorou os resultados pontuando que “o PTR está mudando para melhor a vida das pessoas, das comunidades e das cidades atingidas. O presidente Lula determinou e estamos trabalhando com a máxima dedicação para que todas e todos que têm direito tenham acesso ao programa”, disse.

Há 11 meses, o PTR tem sido um pilar nas medidas de reparação ao rompimento da Barragem de Fundão (MG). “O programa é uma conquista dos atingidos e atingidas e uma medida fundamental para fortalecer a autonomia das famílias, em especial, das mulheres”, destacou Adriana Aranha, gerente extraordinária de reparação do Rio Doce da Anater/MDA.

Histórias do PTR Rural

Todos os dias, conta Adriana, “recebemos relatos do impacto do PTR na vida das mulheres, crianças e das famílias atingidas”. Histórias como de Luzia Aparecida da Silva Neves, de 31 anos, mãe de quatro filhos. Moradora do distrito de Prata de Águas Claras, em Mariana (MG), Luzia e o companheiro recebem o PTR Rural desde o início do programa, julho de 2025.

Luzia relata que o programa é uma garantia de renda para trabalhar no campo com mais segurança. “O PTR tem auxiliado muito a minha família. Pois nem sempre eu posso plantar e vender as coisas que a gente colhe aqui na roça”, conta. “Então, na época de chuva, que teve muito, a horta não evoluiu. Aí, o PTR é um complemento para a renda. Está ajudando tanto eu, como meu esposo, meus filhos. A gente usa o dinheiro para tudo, na compra de animais, nos alimentos, em tudo”.

Josineide dos Santos Campos Gonçalves, do Córrego da Bicuíba, área rural de Itueta (MG), está recebendo o PTR pelo segundo mês agora em maio. Ela conta que o programa “chegou no momento certo na minha vida, na minha família”. Josineide diz que o programa está ajudando nas despesas da casa e na compra de medicamentos reumatológicos caros que ela usa para tratar a fibromialgia. “Eu tenho certeza, que assim como eu, o PTR está ajudando muitas famílias. Eu só tenho a agradecer, porque o governo exigiu que todos deveriam ter o direito de receber”.

A coordenadora do PTR Rural na Gerex do Rio Doce na Anater/MDA, Bianca Lazarini, relata que os depoimentos de Luzia e Josineide refletem a realidade de milhares de famílias na Bacia do Rio Doce. “O PTR é uma ação de reparação que se tornou um apoio crucial para que as famílias retomem suas vidas”, reflete. Em Mariana, por exemplo, 520 agricultores familiares receberam o PTR em maio, “um valor de R$ 1,287 milhão que as famílias de Mariana estão utilizando para recomeçar suas histórias”. O PTR, completa Bianca, é “uma medida de caráter assistencial que permite que agricultoras e agricultores possam retomar suas atividades produtivas e econômicas, recuperar seus modos de vida e até começar novas atividades produtivas na região”.

Este foi o primeiro dia das mães após o início do PTR, complementa a gerente Adriana Aranha. “Especialmente nesse dia, as histórias do PTR nos emocionam e nos mostram como foi acertada a decisão do presidente Lula de negociar o Novo Acordo e garantir que o governo do Brasil assumisse parte das ações de reparação”. O Novo Acordo, garante Adriana, “deu uma nova perspectiva para as atingidas e atingidos. Sabemos que este dia das mães foi especial para as famílias que recebem o programa de transferência de renda”.

Protagonismo feminino

Adriana faz um destaque especial para o protagonismo das mulheres na reparação do Rio Doce. “Não apenas sob a perspectiva da luta das mulheres atingidas dos diversos movimentos sociais presentes da bacia do Rio Doce”, afirma. Mas também em relação à gestão das políticas de reparação para agricultoras e agricultores familiares. “A reparação tem uma perspectiva feminina muito forte. Temos uma ministra do MDA (Fernanda Machiaveli), uma presidenta na Anater (Loroana Santana), uma gerente de reparação no Rio Doce (Adriana Aranha) e mais quatro mulheres coordenadoras na Gerex implementando as políticas (Bianca Lazarini – PTR Rural; Flavia Gondim – ATIs; Katia Maia – Retomada Econômica e Suelen Gonçalves – PCTs “, apontou.

Desenvolvimento integral

Com o repasse deste mês, o PTR já repassou R$ 377,1 milhões diretamente a agricultoras e agricultores familiares atingidos. O programa representa o início da reparação. Agora, a reparação no Rio Doce entra na fase da retomada econômica, com ações que pensam o desenvolvimento integral da bacia, econômica, ambiental e socialmente. 

A Anater e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), através da Gerência do Rio Doce, estão indo a campo para implementar os programas  b de regularização fundiária e ambiental, recuperação de solos, agroecologia nos assentamentos, florestas produtivas, conectividade e soluções digitais para cadeias produtivas da região, além de um plano de desenvolvimento integrado. “São medidas estruturantes que vão levar a Bacia do Rio Doce a uma nova fase. Uma fase em que o rompimento da barragem fique definitivamente no passado”, conclui Adriana.

Texto: Manoela Frade, Ascom Anater/MDA

Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

 

 

 

A construção coletiva envolveu mulheres do Comitê do Condraf, da CNAPO e de movimentos de mulheres agroecológicas, indígenas, quilombolas e sem-terra de todo o país.

A Secretaria de Mulheres Rurais do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) realizam, desde quarta-feira (6), a Oficina ATER Mulheres. O evento teve como objetivo debater, de forma coletiva, propostas que irão nortear e incorporar diretrizes para a elaboração da chamada pública da segunda fase do programa ATER Mulheres.

O encontro foi encerrado nesta sexta-feira (8) e reuniu representantes do Comitê de Mulheres do Condraf, da Subcomissão Temática da CNAPO (Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica) e da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), além de movimentos de mulheres indígenas, quilombolas e sem-terra. Também participaram organizações executoras do edital ATER Mulheres 2023, como a Casa da Mulher do Nordeste (PE), SOF (SP), PATAC (PB), IDASE (MT), MOC (BA), Centro Feminista 8 de Março (RN) e FASE.

Ao longo de três dias, o grupo debateu eixos fundamentais para a elaboração da chamada pública da segunda fase do programa ATER Mulheres. Seguindo as diretrizes do primeiro edital do Governo Lula, lançado em 2023 para atender à reivindicação da Marcha das Margaridas, as mulheres dialogaram sobre a defesa da agroecologia, o fortalecimento do protagonismo das mulheres rurais e o enfrentamento ao racismo e à LGBTfobia no campo. Outro ponto central foi a construção de políticas de sucessão rural, visando à permanência da juventude no campo com dignidade e oportunidades.

A presidenta da Anater, Loroana Santana, destacou que a oficina serviu como um canal vital de diálogo. “É um momento de escuta para que nossos instrumentos de assistência técnica reflitam a pluralidade das mulheres em todo o país. Esse é um compromisso central do presidente Lula e da ministra Fernanda Machiaveli: um governo que acolhe e pensa um campo feminista, agroecológico e focado na produção de alimentos saudáveis, combatendo o racismo e buscando uma sociedade melhor”, declarou.

A secretária de Mulheres Rurais do MDA, Viviana Mesquita, afirmou que o processo de construção do ATER Mulheres Rurais II, ao envolver diretamente as beneficiárias, já se insere em uma lógica de participação ativa. Na mesma linha, Patrícia de Lucena Mourão, coordenadora-geral de Participação Socioprodutiva da pasta, pontuou: “Nosso objetivo é construir uma ATER robusta, antirracista e ligada à agroecologia, refletindo a essência do MDA desde 2023 e da gestão da ministra Fernanda Machiaveli”.

A diretora técnica da Anater, Isabel Silva, ressaltou a importância de ouvir as mulheres para a construção do ATER Mulheres Rurais II, estendendo essa escuta aos demais projetos da agência. “Todos esses elementos trazidos servem de subsídio para a construção dos programas da Anater, considerando que nossas ações focam transversalmente em temas como mulheres rurais, juventude rural e combate à LGBTfobia, entre outras questões. Assim, podemos aproximar a ATER ainda mais das demandas reais do campo”, afirmou.

Avanços no edital

De acordo com Loroana Santana, o público a ser atendido neste segundo ciclo continua amplo e diverso: mulheres camponesas, agricultoras familiares, urbanas e periurbanas, indígenas, quilombolas, jovens, negras, extrativistas, ribeirinhas, assentadas da reforma agrária e vinculadas a outros povos e comunidades tradicionais.

Entre as principais mudanças no ATER Mulheres II, destacam-se a prioridade para atividades coletivas — estratégia dos movimentos de mulheres para promover a auto-organização — e a ampliação da duração dos serviços de assistência técnica, entre outros avanços. Outro ponto importante é a retirada de barreiras de acesso, como a exigência prévia do CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar).

“Em vez de impedir o acesso, o programa vai identificar a mulher que não tem o CAF. A obtenção desse registro ou do CadÚnico passará a ser um resultado da sua participação no programa. Queremos a inclusão dessas mulheres nas políticas públicas”, explicou Patrícia Mourão.

Para Lorena Simas, gestora de projetos no Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) e integrante da Rede ATER Nordeste de Agroecologia, a oficina possibilitou avanços práticos. “O evento permitiu apontar melhorias no edital, como a abertura para que as organizações definam a quantidade de atividades individuais e coletivas, conforme a realidade de cada território”, explicou.

Erlita Tembé, da Terra Indígena Tembé (Pará), comemorou a participação das mulheres indígenas Tembé no processo de construção do edital. “É muito importante participarmos desde o início; isso fortalece a autonomia das mulheres indígenas nos territórios”, declarou.

Sobre o ATER Mulheres Rurais

Mais de 12 mil mulheres já foram beneficiadas pela primeira fase do programa. Criado em 2023, o ATER Mulheres Rurais é executado em todos os estados e no Distrito Federal. O programa busca enfrentar desigualdades de gênero e raça, promovendo cidadania e autonomia econômica no meio rural.

Texto: Marci Hences – Ascom/Anater
Fotos: Marci Hences/Sizan Esberci – Ascom/Anater

Agora, comunidades tradicionais decidem como utilizar os recursos de reparação coletiva

Mais de 3 mil faiscadores e faiscadoras tradicionais da Bacia do Rio Doce disseram Sim ao Novo Acordo de reparação. A Assembleia ocorrida na terça-feira, 28/4, no município de Rio Doce (MG), encerrou, após nove meses de trabalho, o processo de Consulta Livre, Prévia e Informada, prevista no Anexo 3 da repactuação.

Na prática, ao concordarem com o Anexo 3, faiscadores e faiscadoras aceitam acessar os recursos destinados à reparação de danos coletivos em razão do rompimento da Barragem de Fundão. O Anexo 3 também orienta a participação das pessoas atingidas daqui para frente.

A secretária-executiva adjunta do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Marina Godoi, afirmou que “o processo de consulta com os faiscadores e faiscadoras foi um passo decisivo conduzido pelo MDA, em parceria com a Anater e o IPEAD, fundação ligada à UFMG contratada para a realizar o processo. “Ele reconhece e legitima o papel dessas comunidades na definição do uso dos recursos do Novo Acordo do Rio Doce, garantindo que a reparação dos danos coletivos seja efetiva”.

Este é justamente o próximo passo da reparação aos faiscadores e faiscadoras. “Agora, as comunidades vão decidir como vão utilizar os recursos coletivamente”, explica a Gerente Extraordinária de Reparação do Rio Doce da Anater/MDA, Adriana Aranha. A gerente pontua que o Sim significa o início do processo de reparação coletiva, tão esperado pelos faiscadores e faiscadoras. “Essas comunidades sempre viveram e trabalharam ao longo do curso do Rio Doce. Foram 10 anos de espera por este momento”, comemorou. “Estamos muito felizes com os 3 mil Sins”.

Marina Godoi complementa que “mais do que ouvir, o que fizemos foi assegurar o direito dessas populações de deliberar livremente e com informação qualificada sobre a destinação dos recursos previstos no Anexo 3”. Isso respeita um princípio fundamental, a Convenção 169 da Organização Internacional do trabalho (OIT), completa a secretária, “o da autodeterminação dos povos e comunidades tradicionais. Afinal, são essas comunidades que conhecem de perto suas necessidades e as especificidades do território, e que têm as melhores condições de apontar soluções concretas.”

A diretora do Departamento de Reconhecimento, Proteção de Territórios Tradicionais e Etnodesenvolvimento da Secretaria de Territórios e Sistemas Produtivos Quilombolas e Tradicionais do MDA, Isabela Cruz, completou que “à medida que a consulta se efetiva com esse índice de aprovação, damos um passo decisivo na reparação. São famílias que têm uma forma tradicional de trabalho e de vivência que foi respeitado. Esse processo fica de exemplo para construirmos junto com os povos e comunidades tradicionais o planejamento e o futuro que a gente quer para aquele território”.

Alívio e desabafo

Lino Ângelo da Silva Filho, de 62 anos, é faiscador no município de Rio Doce e disse sim ao Novo Acordo.Parece que tirou um peso muito grande da gente. É como se saísse aquele ar que estava preso no pulmão e a gente não conseguia respirar”, desabafou após o resultado. ”Quando eu levantei a mão, quando eu vi todos os companheiros levantando a mão, é como se a gente tivesse afirmado: nós estamos aqui!”. Agora, comenta Lino, “a gente vai poder opinar, o que for de benefício, o que for de direito nosso”.

Após a Assembleia, Vanilda Aparecida de Castro, faiscadora de Rio Doce, disse que o Sim é um grande passo para as comunidades atingidas, resultado de anos de espera. “Foram 10 anos de luta. Mas hoje estamos vendo um avanço para que a gente consiga a nossa tão sonhada reparação”. Geralda Tenório também saiu da Assembleia aliviada. Pra mim foi muito importante ter essa reunião. Achei maravilhoso que todo mundo concordou. Se a gente não concordar, nós voltamos à estaca zero. São dez anos esperando. Agora tudo vai ser tudo resolvido”.

A Fundação IPEAD, vinculada à UFMG, foi escolhida pela Anater/MDA para realizar a consulta com faiscadores e faiscadoras. O presidente da fundação, Fabricio Missio, destacou que durante o processo “ficou evidente que o diálogo não é apenas um instrumento metodológico, mas uma condição essencial para fortalecer a confiança institucional, reduzir assimetrias de informação e respeitar os tempos, as formas organizativas e as dinâmicas próprias de cada comunidade.” Mais do que transmitir informações técnicas sobre o Acordo, complementou o presidente, “construímos espaços reais de escuta, permitindo que faiscadores pudessem participar de forma autônoma de um processo que impacta diretamente seus modos de vida”.

Quem são os faiscadores e faiscadoras tradicionais?

Os faiscadores e faiscadoras do Rio Doce são garimpeiros artesanais tradicionais de Minas Gerais, que extraem ouro de forma manual no leito dos rios. Reconhecidos como comunidade tradicional, atuam principalmente em Rio Doce, no distrito de Chopotó, em Ponte Nova, e Santa Cruz do Escalvado, e foram severamente afetados pelo rompimento da barragem de Fundão.

Crédito das Fotos: Diego Cota – IPEAD/MG

A afirmação é de uma das 12 mil participantes do programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) Mulheres Rurais, do Governo do Brasil, através do MDA e da Anater

Cerca de 400 agricultoras, extrativistas, ribeirinhas e mulheres dos campos, das águas e das florestas participaram, nesta quinta-feira (30), do seminário virtual Programa ATER Mulheres Rurais: Autonomia, Alimentação e Vidas Saudáveis — Um olhar de quem viveu o processo. O evento foi promovido pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) em parceria com a Subsecretaria de Mulheres Rurais do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

Entre os relatos apresentados, o da agricultora Edinalva Martins, de Retirolândia (BA), ilustra as transformações promovidas pelo programa. Atendida pelo Movimento de Organização Comunitária (MOC), ela já trabalhava com horticultura, mas conseguiu expandir a produção após ingressar no ATER Mulheres e acessar o Fomento Rural, no valor de R$ 4.600.

“Hoje, toda a renda que sustenta minha família vem do investimento que fiz na minha propriedade. Meu marido deixou o emprego na cidade e veio trabalhar comigo na horta”, contou.

Segundo a organização, metade das participantes do programa recebeu o Fomento Rural e estruturou projetos produtivos, garantindo segurança alimentar e autonomia financeira. As demais já haviam acessado o benefício anteriormente ou não se enquadravam nos critérios.

Criado em 2023, o ATER Mulheres Rurais é executado em todos os estados e no Distrito Federal e foi o primeiro programa de assistência técnica lançado no atual governo. A iniciativa busca enfrentar desigualdades de gênero e raça, promovendo autonomia econômica, cidadania e melhoria das condições de vida no meio rural.

A presidenta da Anater, Loroana Santana, destacou que o programa ampliou oportunidades para mulheres que já desenvolviam atividades produtivas. “Houve também um processo formativo que abordou agroecologia, feminismo e o enfrentamento ao racismo”, afirmou.

A subsecretária de Mulheres Rurais do MDA, Patrícia de Lucena Mourão, reforçou o compromisso com uma assistência técnica voltada à transformação social. “Queremos fortalecer as mulheres e a juventude em seus territórios”, disse.

Já a secretária de Mulheres Rurais do MDA, Viviana Mesquita, destacou o protagonismo das agricultoras e informou que o governo já discute a implementação do ATER Mulheres Rurais II.

A diretora técnica da Anater, Isabel Silva, ressaltou que as metodologias feministas adotadas no programa foram fundamentais para ampliar a participação das mulheres, promovendo autonomia econômica, inserção social e acesso a políticas públicas. Entre as iniciativas, está a oferta de monitoria infantil, permitindo que mães participem das atividades.

Na Bahia, quase todas as participantes de um dos grupos atendidos passaram a integrar organizações sociais, evidenciando o impacto do programa no fortalecimento do protagonismo feminino, segundo a coordenadora do MOC, Cátia Almeida.

Ao longo do seminário, agricultoras de diferentes regiões compartilharam experiências e resultados. O programa atende assentadas da reforma agrária, agricultoras familiares, extrativistas, pescadoras artesanais, aquicultoras, indígenas, quilombolas e integrantes de comunidades tradicionais, inclusive em áreas urbanas e periurbanas.

Sizan Luis Esberci
Ascom/Anater/MDA

Iniciativa vai atender 4.050 famílias da agricultura familiar em todo o país, com foco na produtividade, redução de custos e melhoria da qualidade do leite

O Governo Federal lançou, nesta segunda-feira (27), o programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) Mais Leite Brasil, voltado à qualificação da gestão e à sustentabilidade da cadeia produtiva do leite na agricultura familiar. A iniciativa é coordenada pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

O anúncio foi feito pela ministra Fernanda Machiaveli, (MDA), juntamente com o vice-presidente Geraldo Alckmin e a presidenta da Anater, Loroana Santana, em Andradina (SP).

Com investimento de R$ 28,5 milhões, o programa atenderá 4.050 famílias em todo o país, distribuídas em 27 lotes — um em cada unidade da federação. Cada lote contempla 150 famílias, que receberão assistência técnica por um período de 18 meses, em atividades individuais e coletivas.

Os recursos variam conforme a região: R$ 1,178 milhão por lote na Região Norte; R$ 1,034 milhão nas regiões Nordeste e Centro-Oeste; e R$ 990,5 mil nas regiões Sudeste e Sul.

O público inclui grupos prioritários, como povos e comunidades tradicionais, assentados e assentadas da reforma agrária, pescadores artesanais e beneficiários do crédito fundiário, com foco na inclusão produtiva e no fortalecimento de organizações coletivas.

Segundo a presidenta da Anater, Loroana Santana, o programa Mais Leite Brasil busca enfrentar gargalos da produção leiteira, com foco no aumento da produtividade, na redução de custos e na melhoria da qualidade do leite.

“A atuação da Anater, ao levar assistência técnica a essas famílias, permitirá maior estabilidade produtiva ao longo do ano, especialmente em regiões com forte sazonalidade, além de apoiar a adoção de tecnologias apropriadas à realidade da agricultura familiar”, afirmou.

Edital Ater Mais Leite Brasil

O edital com as normas do programa foi publicado nesta segunda-feira (27), no Diário Oficial da União e no site da Anater (veja aqui). O prazo para que as entidades credenciadas apresentem suas propostas, por meio do Sistema de Gestão de ATER no site da Agência, terá início no dia 11 de maio.

O edital busca projetos de trabalho para reforçar a gestão produtiva e econômica das propriedades, com estímulo ao uso de ferramentas de controle zootécnico e financeiro, planejamento da produção e integração com mercados institucionais e privados.

A iniciativa está alinhada às diretrizes da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Pnater) e ao fortalecimento de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural sustentável.

Investimentos na cadeia leiteira

Todas as entregas para a agricultura familiar feitas pelo Governo do Brasil em Andradina (SP), nesta segunda-feira (27), elevam o valor total dos investimentos para R$ 910 milhões. Desse total, R$ 100 milhões serão destinados à compra de leite em pó pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para as Cozinhas Solidárias; R$ 28,5 milhões serão aplicados em Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), por meio da Anater, para qualificar a produção leiteira; R$ 155 milhões serão destinados a créditos do Incra para famílias assentadas em todo o país; e R$ 450 milhões irão para uma nova linha de crédito (Pronaf Mais Leite) para cooperativas, com o objetivo de fortalecer a agroindustrialização.

Leia mais: https://www.gov.br/mda/pt-br/noticias/2026/04/governo-do-brasil-anuncia-r-465-milhoes-de-investimentos-na-cadeia-leiteira-produzida-pela-agricultura-familiar

Fotos: Albino Oliveira – Ascom/MDA

Texto: Sizan Esberci – Ascom/Anater

A consulta é um direito assegurado pela Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)

Brasília, 24/04/2026 – O processo de Consulta Prévia, Livre e Informada aos garimpeiros e faiscadores do Rio Doce está na reta final. Entre os dias 26/4 e 2 de maio, as comunidades dos dois povos tradicionais decidem em assembleia se aceitam os termos do Novo Acordo do Rio Doce. Ao dizerem “sim”, garimpeiros e faiscadores tradicionais aceitam acessar os recursos para reparação de danos coletivos em razão do rompimento da barragem de Fundão previstos no Anexo 3.

“O MDA assumiu a tarefa de consulta aos povos e comunidades tradicionais no âmbito do Novo Acordo. Nosso papel é justamente garantir que todos tenham uma consulta ampla e transparente. Foi isso que fizemos com os garimpeiros e faiscadores, inclusive indo nas comunidades para participar das assembleias e reuniões”, explicou a secretária-executiva adjunta do MDA, Marina Godoi, que esteve na região em abril, junto às comitivas do MDA e Anater para mobilizar as comunidades para a etapa final do processo.

Fim da consulta, início da reparação

“O fim da consulta é o início da reparação coletiva”, explica Adriana Aranha, Gerente Extraordinária de Reparação do Rio Doce da Anater/MDA. “Foram sete meses de trabalho com esses dois povos que se encontram exclusivamente na bacia do Rio Doce”. A consulta, apontou a gerente, “colaborou, inclusive, para o mapeamento dessas comunidades que se identificam pelo trabalho e estão distribuídas em seis municípios de Minas Gerais”.

Voz ativa

A consulta é um direito previsto no Novo Acordo que assegura às populações tradicionais voz ativa na definição das medidas de reparação. A Fundação IPEAD (Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais) foi contratada pela Anater/MDA para o trabalho com os garimpeiros e faiscadores.

“A consulta foi ampla, transparente e em diálogo direto com as comunidades”, coloca a coordenadora de Povos e Comunidades Tradicionais da Gerex Rio Doce da Anater/MDA, Suelen Gonçalves. A consulta identificou quase 3 mil núcleos familiares de garimpeiros e faiscadores tradicionais que vivem em comunidades ao longo dos rios em Mariana, Acaiaca, Barra Longa, Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Ponte Nova. “Chegamos na etapa final do processo e estaremos mais uma vez juntos com os garimpeiros e faiscadores na Assembleia final”, completa Suelen.

Sérgio Papagaio, pescador e garimpeiro tradicional, ressalta que a consulta é um momento muito importante no processo de reparação. “O direito de escolha nunca foi levado tão a sério como agora. Por isso, é fundamental que a gente seja o mais democrático possível”, afirma.

A consulta envolveu a identificação, mobilização e mapeamento das comunidades, levantamento de dados socioeconômicos e culturais, construção conjunta de estratégias de escuta e diálogo, atividades formativas e informativas para garantir a compreensão sobre os temas da consulta, além da sistematização dos resultados que subsidiarão a definição de medidas coletivas de reparação a serem deliberadas pelas próprias comunidades.

Direito garantido

A Consulta Prévia, Livre e Informada é um direito assegurado pela Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), tratado internacional do qual o Brasil é signatário e que possui força de lei no país. A norma determina que povos e comunidades tradicionais sejam consultados sempre que medidas administrativas ou legislativas possam afetá-los diretamente, incluindo processos de licenciamento ambiental, implementação de políticas públicas e ações que impactem seus territórios, culturas e formas de organização social.

No âmbito do acordo, o MDA é o responsável pela implementação da consulta. Vinculada ao ministério, a Anater atua como gestora e executora da política, coordenando as ações necessárias para assegurar que o processo seja conduzido de forma qualificada, transparente e em consonância com os marcos legais nacionais e internacionais.

Texto: Manoela Frade, Gerex Rio Doce Anater/MDA

Fotos: Cristiane Teixeira, Gerex Rio Doce Anater/MDA

Cerca de 60 profissionais participam de curso voltado à execução de programa, em parceria com a Funai, que beneficiará 2.173 famílias da Terra Indígena Yanomami

A Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) está ministrando, na sede do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), em São Gabriel da Cachoeira (AM), de 13 a 17 de abril, o curso de formação de agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). Cerca de 60 técnicos e técnicas estão sendo capacitados para executar o projeto que beneficiará 2.173 famílias da Terra Indígena Yanomami, nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos (AM).

O curso de formação é uma etapa obrigatória para o início das atividades de assistência técnica e extensão rural e visa fortalecer as competências técnicas dos agentes que atuarão nos territórios. Entre os temas abordados estão: metodologia participativa, desenvolvimento sustentável, valorização dos saberes tradicionais, promoção da soberania alimentar, geração de renda e autonomia das comunidades indígenas.

A capacitação conta com parceria do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Ifam e da Fundação Ajuri de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal de Roraima (UFRR), entidade responsável pela execução do Programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) voltado aos povos Yanomami. O curso, com carga horária de 40 horas, conta com palestrantes de todas as instituições parceiras.

De acordo com Iracema de Paula de Lima Freitas, assessora da Diretoria Técnica da Anater, que participa da atividade em São Gabriel da Cachoeira, essa capacitação apresenta um aspecto inédito na história da Agência, em razão do alto percentual de técnicos indígenas que irão atuar nos territórios yanomami: “Os profissionais em formação que atuarão na Terra Indígena Yanomami pertencem a diferentes povos indígenas — Baré, Yanomami, Piratapuia, Tukano, Baniwa, Desana, Wanano, Tariano, Kotiria, Koripako e Kubeo — o que contribui para a execução de políticas públicas específicas, com foco em um modelo de Ater que respeite os territórios e os modos de vida tradicionais e fortaleça a sociobiodiversidade da maior Terra Indígena do país”, afirmou.

Os agentes capacitados deverão ser contratados como agentes de Ater. A escolha da entidade executora — a Fundação Ajuri — foi realizada pelos próprios povos Yanomami, conforme asseguram a Constituição Federal do Brasil e a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A execução das atividades em campo terá início após a conclusão da formação dos profissionais.

Participam da formação, pela Anater, a assessora Iracema de Paula e os analistas da Diretoria Técnica Luís Fernando Tividini, Gereissat Rodrigues Almeida e Sergio Biron Burgardt.

Programa Ater Indígenas Yanomami

O Programa Ater Povos Yanomami atenderá 2.173 famílias de 66 comunidades localizadas no Médio e Alto Rio Negro, no Amazonas. Cada família receberá fomento rural no valor de R$ 4,6 mil, não reembolsável, para a implantação de projetos produtivos, além de assistência técnica.

O investimento total para o programa será de R$ 9,5 milhões, com recursos do Governo Federal destinados à Anater por meio da Funai.

Adicionalmente, o programa contará com acesso ao Programa Fomento, viabilizado por meio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

Marci Hences-ASCOM/Anater