“Queremos mostrar que existem pessoas dentro da floresta, que têm direito a olhar o horizonte e a desenvolver seu potencial. E os beneficiários(as) comprovam que estamos cumprindo esse objetivo”, enfatizou o presidente da Anater durante a visita.

Brasília – 06/03/26 – O uso do saber tradicional e da organização coletiva como ferramentas para promover a diversificação da produção, a preservação das florestas e a geração de renda foi uma das experiências conhecidas – in loco – pelos participantes do Seminário Nacional de ATER do Programa Bolsa Verde: Fortalecer a Agricultura Familiar nas Águas, nos Campos e na Floresta.

O seminário foi promovido pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e outros órgãos federais.

Na quarta-feira (04), integrantes do Governo Federal, do Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap), do Governo do Estado do Amapá, acadêmicos e acadêmicas do curso de Ciências Agronômicas da Universidade do Estado do Amapá (UEAP), entidades parceiras da Anater no Pará e no Amapá, além de beneficiários do Programa Bolsa Verde, deslocaram-se até a Reserva Extrativista do Rio Cajari (Resex do Cajari), a cerca de 300 km de Macapá, para conhecer as experiências de produção desenvolvidas pelos beneficiários do programa.

No local vivem aproximadamente 3,3 mil famílias de agricultores(as), pescadores(as) e extrativistas. Localizada no município de Mazagão, a reserva possui 532.397 hectares e integra o bioma amazônico.

Uma das visitas realizadas foi à Comunidade Dona Maria, onde o grupo conheceu a produção de hortaliças cultivadas por beneficiários do Programa Bolsa Verde, em uma área cercada por mata e igarapé. As hortaliças são comercializadas na própria comunidade, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), e em feiras quinzenais no município de Laranjal do Jari.

Na Comunidade Água Branca, um galinheiro coletivo implantado com apoio técnico e material da Agropam, parceira da Anater, abriu novas perspectivas para as mulheres agricultoras, que pretendem ampliar a produção para comercializar frangos e ovos. A construção de baixo custo é coberta com palha de ubim, uma palmeira típica da Amazônia, que mantém o ambiente seco e a temperatura amena.

A secretária de Povos e Comunidades Tradicionais do MMA, Edel Moura, e o presidente da Anater, Camilo Capiberibe, estiveram presentes na visita. Durante a agenda, Edel Moura resgatou a história da mobilização social que contribuiu para a criação do Programa Bolsa Verde, lembrando que a proposta ganhou força durante a Marcha das Margaridas, em Brasília, marcada pelo chamado “Na Floresta tem Povo”.

Segundo Edel Moura, a produção de frangos na Comunidade Água Branca é um exemplo dos resultados diretos do Bolsa Verde, mas o programa vai além da renda: oferece assistência técnica especializada, local e socioambiental, chegando diretamente aos territórios. Além disso, ressaltou, o grande diferencial do programa é reconhecer e premiar as populações extrativistas e agroextrativistas que contribuem para a conservação do Brasil.

Ela destacou ainda que o trabalho de ATER do Programa Bolsa Verde, realizado pela Anater, beneficia todos: a própria Anater, o Ministério do Meio Ambiente, as florestas — que são preservadas — e, principalmente, as pessoas que vivem na floresta, que têm seus direitos reconhecidos e podem vislumbrar novas oportunidades de desenvolvimento. “O investimento do MMA é essencial para que isso aconteça, e os beneficiários demonstram esperança e vontade de crescer. Muito obrigada, presidente Camilo”, afirmou Edel Moura.

O presidente da Anater, Camilo Capiberibe, agradeceu ao Ministério do Meio Ambiente por confiar à Anater a execução da assistência técnica do programa Bolsa Verde, que, segundo ele, vai além do suporte técnico. “Nosso objetivo é mostrar que existem pessoas dentro da floresta, que têm direito a olhar o horizonte e a desenvolver seu potencial. O que percebemos aqui, ouvindo os beneficiários, é que estamos cumprindo esse objetivo: gerar desenvolvimento, preservar a floresta e promover inclusão social. Muito obrigado ao MMA, à ministra Marina Silva, à secretária Edel Moura, ao ministro Paulo Teixeira e ao Governo Federal. Este é o governo de todos”, enfatizou.

Os relatos dos beneficiários demonstram como essa política pública (Programa Bolsa Verde), aliada à assistência técnica, tem contribuído para que pescadores, extrativistas, agricultores familiares e assentados da reforma agrária cuidem do território onde vivem, utilizem os recursos naturais de forma sustentável, preservem a floresta, ampliem suas fontes de renda e melhorem suas condições de vida.

Encerramento do Seminário

Na quinta-feira (05), a Anater/MDA encerrou o Seminário Nacional de ATER do Programa Bolsa Verde com debates, rodas de conversa e escuta ativa dos beneficiários, visando melhorias que ampliem e fortaleçam o desenvolvimento sustentável, o bem-viver e a geração de renda nos territórios, aliados ao saber local e à assistência técnica.

Ascom/Anater

Fotos: Sizan Esberci