Ater

A construção coletiva envolveu mulheres do Comitê do Condraf, da CNAPO e de movimentos de mulheres agroecológicas, indígenas, quilombolas e sem-terra de todo o país.

A Secretaria de Mulheres Rurais do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) realizam, desde quarta-feira (6), a Oficina ATER Mulheres. O evento teve como objetivo debater, de forma coletiva, propostas que irão nortear e incorporar diretrizes para a elaboração da chamada pública da segunda fase do programa ATER Mulheres.

O encontro foi encerrado nesta sexta-feira (8) e reuniu representantes do Comitê de Mulheres do Condraf, da Subcomissão Temática da CNAPO (Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica) e da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), além de movimentos de mulheres indígenas, quilombolas e sem-terra. Também participaram organizações executoras do edital ATER Mulheres 2023, como a Casa da Mulher do Nordeste (PE), SOF (SP), PATAC (PB), IDASE (MT), MOC (BA), Centro Feminista 8 de Março (RN) e FASE.

Ao longo de três dias, o grupo debateu eixos fundamentais para a elaboração da chamada pública da segunda fase do programa ATER Mulheres. Seguindo as diretrizes do primeiro edital do Governo Lula, lançado em 2023 para atender à reivindicação da Marcha das Margaridas, as mulheres dialogaram sobre a defesa da agroecologia, o fortalecimento do protagonismo das mulheres rurais e o enfrentamento ao racismo e à LGBTfobia no campo. Outro ponto central foi a construção de políticas de sucessão rural, visando à permanência da juventude no campo com dignidade e oportunidades.

A presidenta da Anater, Loroana Santana, destacou que a oficina serviu como um canal vital de diálogo. “É um momento de escuta para que nossos instrumentos de assistência técnica reflitam a pluralidade das mulheres em todo o país. Esse é um compromisso central do presidente Lula e da ministra Fernanda Machiaveli: um governo que acolhe e pensa um campo feminista, agroecológico e focado na produção de alimentos saudáveis, combatendo o racismo e buscando uma sociedade melhor”, declarou.

A secretária de Mulheres Rurais do MDA, Viviana Mesquita, afirmou que o processo de construção do ATER Mulheres Rurais II, ao envolver diretamente as beneficiárias, já se insere em uma lógica de participação ativa. Na mesma linha, Patrícia de Lucena Mourão, coordenadora-geral de Participação Socioprodutiva da pasta, pontuou: “Nosso objetivo é construir uma ATER robusta, antirracista e ligada à agroecologia, refletindo a essência do MDA desde 2023 e da gestão da ministra Fernanda Machiaveli”.

A diretora técnica da Anater, Isabel Silva, ressaltou a importância de ouvir as mulheres para a construção do ATER Mulheres Rurais II, estendendo essa escuta aos demais projetos da agência. “Todos esses elementos trazidos servem de subsídio para a construção dos programas da Anater, considerando que nossas ações focam transversalmente em temas como mulheres rurais, juventude rural e combate à LGBTfobia, entre outras questões. Assim, podemos aproximar a ATER ainda mais das demandas reais do campo”, afirmou.

Avanços no edital

De acordo com Loroana Santana, o público a ser atendido neste segundo ciclo continua amplo e diverso: mulheres camponesas, agricultoras familiares, urbanas e periurbanas, indígenas, quilombolas, jovens, negras, extrativistas, ribeirinhas, assentadas da reforma agrária e vinculadas a outros povos e comunidades tradicionais.

Entre as principais mudanças no ATER Mulheres II, destacam-se a prioridade para atividades coletivas — estratégia dos movimentos de mulheres para promover a auto-organização — e a ampliação da duração dos serviços de assistência técnica, entre outros avanços. Outro ponto importante é a retirada de barreiras de acesso, como a exigência prévia do CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar).

“Em vez de impedir o acesso, o programa vai identificar a mulher que não tem o CAF. A obtenção desse registro ou do CadÚnico passará a ser um resultado da sua participação no programa. Queremos a inclusão dessas mulheres nas políticas públicas”, explicou Patrícia Mourão.

Para Lorena Simas, gestora de projetos no Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) e integrante da Rede ATER Nordeste de Agroecologia, a oficina possibilitou avanços práticos. “O evento permitiu apontar melhorias no edital, como a abertura para que as organizações definam a quantidade de atividades individuais e coletivas, conforme a realidade de cada território”, explicou.

Erlita Tembé, da Terra Indígena Tembé (Pará), comemorou a participação das mulheres indígenas Tembé no processo de construção do edital. “É muito importante participarmos desde o início; isso fortalece a autonomia das mulheres indígenas nos territórios”, declarou.

Sobre o ATER Mulheres Rurais

Mais de 12 mil mulheres já foram beneficiadas pela primeira fase do programa. Criado em 2023, o ATER Mulheres Rurais é executado em todos os estados e no Distrito Federal. O programa busca enfrentar desigualdades de gênero e raça, promovendo cidadania e autonomia econômica no meio rural.

Texto: Marci Hences – Ascom/Anater
Fotos: Marci Hences/Sizan Esberci – Ascom/Anater

Iniciativa vai atender 4.050 famílias da agricultura familiar em todo o país, com foco na produtividade, redução de custos e melhoria da qualidade do leite

O Governo Federal lançou, nesta segunda-feira (27), o programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) Mais Leite Brasil, voltado à qualificação da gestão e à sustentabilidade da cadeia produtiva do leite na agricultura familiar. A iniciativa é coordenada pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

O anúncio foi feito pela ministra Fernanda Machiaveli, (MDA), juntamente com o vice-presidente Geraldo Alckmin e a presidenta da Anater, Loroana Santana, em Andradina (SP).

Com investimento de R$ 28,5 milhões, o programa atenderá 4.050 famílias em todo o país, distribuídas em 27 lotes — um em cada unidade da federação. Cada lote contempla 150 famílias, que receberão assistência técnica por um período de 18 meses, em atividades individuais e coletivas.

Os recursos variam conforme a região: R$ 1,178 milhão por lote na Região Norte; R$ 1,034 milhão nas regiões Nordeste e Centro-Oeste; e R$ 990,5 mil nas regiões Sudeste e Sul.

O público inclui grupos prioritários, como povos e comunidades tradicionais, assentados e assentadas da reforma agrária, pescadores artesanais e beneficiários do crédito fundiário, com foco na inclusão produtiva e no fortalecimento de organizações coletivas.

Segundo a presidenta da Anater, Loroana Santana, o programa Mais Leite Brasil busca enfrentar gargalos da produção leiteira, com foco no aumento da produtividade, na redução de custos e na melhoria da qualidade do leite.

“A atuação da Anater, ao levar assistência técnica a essas famílias, permitirá maior estabilidade produtiva ao longo do ano, especialmente em regiões com forte sazonalidade, além de apoiar a adoção de tecnologias apropriadas à realidade da agricultura familiar”, afirmou.

Edital Ater Mais Leite Brasil

O edital com as normas do programa foi publicado nesta segunda-feira (27), no Diário Oficial da União e no site da Anater (veja aqui). O prazo para que as entidades credenciadas apresentem suas propostas, por meio do Sistema de Gestão de ATER no site da Agência, terá início no dia 11 de maio.

O edital busca projetos de trabalho para reforçar a gestão produtiva e econômica das propriedades, com estímulo ao uso de ferramentas de controle zootécnico e financeiro, planejamento da produção e integração com mercados institucionais e privados.

A iniciativa está alinhada às diretrizes da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Pnater) e ao fortalecimento de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural sustentável.

Investimentos na cadeia leiteira

Todas as entregas para a agricultura familiar feitas pelo Governo do Brasil em Andradina (SP), nesta segunda-feira (27), elevam o valor total dos investimentos para R$ 910 milhões. Desse total, R$ 100 milhões serão destinados à compra de leite em pó pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para as Cozinhas Solidárias; R$ 28,5 milhões serão aplicados em Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), por meio da Anater, para qualificar a produção leiteira; R$ 155 milhões serão destinados a créditos do Incra para famílias assentadas em todo o país; e R$ 450 milhões irão para uma nova linha de crédito (Pronaf Mais Leite) para cooperativas, com o objetivo de fortalecer a agroindustrialização.

Leia mais: https://www.gov.br/mda/pt-br/noticias/2026/04/governo-do-brasil-anuncia-r-465-milhoes-de-investimentos-na-cadeia-leiteira-produzida-pela-agricultura-familiar

Fotos: Albino Oliveira – Ascom/MDA

Texto: Sizan Esberci – Ascom/Anater

Agricultores familiares do Distrito Federal e de Goiás relatam experiências e impactos da ATER na produção, na renda e no acesso a mercados

Brasília/ 26-04-2026 – A Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) participou, de quinta-feira (23) a sábado (25), da Feira Brasil na Mesa, realizada na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF). O evento reuniu instituições públicas, produtores e pesquisadores, com foco na valorização da produção de base familiar e dos povos e comunidades tradicionais.

Na sexta-feira (24), a presidenta da Anater, Loroana Santana, integrou um painel que discutiu o papel da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) na produção agroecológica e na comercialização solidária de frutas no Cerrado, a partir de experiências desenvolvidas pela Anater em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Durante sua participação, Loroana destacou a atuação do ex-ministro Paulo Teixeira e da atual ministra Fernanda Machiavelli na reconstrução do MDA e no fortalecimento de políticas públicas voltadas à agricultura familiar. Ela também apresentou um panorama das ações e programas da Anater, desenvolvidos em parceria com o MDA, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e outros órgãos do Governo Federal, além de entidades parceiras de assistência técnica.

Entre as iniciativas, ressaltou os programas Bem Viver Centro-Oeste e ATER Mulheres Rurais, que atendem agricultores e agricultoras familiares no Distrito Federal e entorno.

A presidenta enfatizou que a Anater tem ampliado de forma contínua a oferta de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) no Brasil por meio de instrumentos estruturantes, como os Instrumentos Específicos de Parceria (IEPs), firmados com entidades públicas, e as chamadas públicas para contratação de empresas privadas. “Esses mecanismos ampliam o alcance da assistência técnica, facilitam o acesso dos agricultores familiares ao crédito rural e a políticas de fomento, além de impulsionarem a estruturação de cadeias produtivas, a inovação tecnológica, a produção e a comercialização agroecológica e a diversificação de culturas”, ressaltou.

O painel contou com a participação de agricultores familiares atendidos em programas de ATER pela Anater/MDA no Distrito Federal e em Goiás, com mediação da diretora técnica da Anater, Isabel Silva. Participaram do debate a agricultora assentada Mary Grant, do assentamento Oziel Alves (DF); o presidente da Cooperativa Nacional das Plantas Alimentícias Não Convencionais (ComPANC), Virgínio Beltrami; a técnica da Legaliza, Andreia Siqueira; e o técnico da Rede Terra, Ciro Eduardo.

O debate abordou estratégias de mercado para produção e comercialização de frutas no Cerrado, experiências práticas e o potencial das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) na ampliação de mercados, além de apresentar relatos de agricultores e agricultoras que participam dos programas de Ater.

Andreia Siqueira destacou que as ações de ATER têm fortalecido a agricultura familiar na região, incentivando a produção frutícola e a participação em programas públicos como o PAA e o PNAE, responsáveis por gerar renda para dezenas de agricultores e agricotoras. Segundo ela, a assistência técnica também contribui para o avanço no acesso a políticas públicas, com a emissão de 100% dos Cadastros da Agricultura Familiar (CAF), além da entrega de equipamentos e da articulação de parcerias institucionais.

Outro destaque, segundo ela, é a Rota da Fruticultura no Distrito Federal, iniciativa que busca consolidar um polo produtivo com culturas como pitaya, mirtilo e maracujá. Andreia também ressaltou o impacto dos programas ATER Mulheres e Bem Viver Centro-Oeste na diversificação da produção e acesso a mercados, incluindo culturas como açaí, baunilha, uva e café.

“Os projetos integram assistência técnica, inovação e inclusão produtiva, contribuindo para o aumento da renda, da sustentabilidade e da qualidade de vida dos (das) agricultores familiares”, afirmou.

O técnico da Rede Terra, Ciro Eduardo, reafirmou a importância da política de reforma agrária e dos assentamentos rurais, com foco nos territórios, na participação social e na integração dessas políticas, e dos diversos atores sociais, visando o bem viver da população rural.

A agricultora Mary Grant, beneficiária dos programas ATER Mulheres Rurais e Bem Viver Centro-Oeste, relatou sua experiência, destacando o papel da assistência técnica no fortalecimento da produção e da comercialização de frutas no Distrito Federal.

“A ATER foi um divisor de águas para contribuir no fortalecimento da minha produção de frutas”, afirmou.

O presidente da ComPANC, Virgínio Beltrami, destacou a valorização da biodiversidade, o consumo de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), os Arranjos Produtivos Locais (APLs), etc., como forma de fomentar a economia familiar e regional, garantindo sustentabilidade. Ele ressaltou ainda que políticas públicas são pilares essenciais para o fortalecimento da produção, comercialização e consumo de PANCs.

Minha ATER Digital

Na abertura da Feira Brasil na Mesa, na quinta-feira (23), a Anater acompanhou o lançamento oficial do programa Minha ATER Digital, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa, coordenada pelo MDA em parceria com a Embrapa e a Anater, integra a estratégia de transformação digital da ATER, ampliando o acesso a conteúdos, ferramentas e cursos voltados à agricultura familiar em todo o país.

A plataforma tem como objetivo ampliar o acesso ao conhecimento técnico no campo. “É uma ferramenta para disponibilizar conhecimento a técnicos, extensionistas e profissionais que orientam os produtores”, destacou Ziger, que também ressaltou o papel do SGA Móvel na coleta de dados estratégicos para subsidiar políticas públicas.

A diretora de Transferência de Tecnologia da Anater e diretora da Embrapa, Ana Euler, mediou um dos painéis e destacou que a ATER vive um momento positivo, com o fortalecimento dos canais digitais e a ampliação do acesso à informação no meio rural. Segundo ela, o próximo passo é articular, junto ao Ministério das Comunicações, o acesso aos recursos do FUST (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), com o objetivo de ampliar a conectividade no território brasileiro.

Marci Hences -ASCOM/Anater