Nessa quinta-feira (06), foi realizado o Intercâmbio Brasil-Etiópia para trocar experiências de Assistência Técnica e Extensão Rural destes dois países. O evento, promovido pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ Brasil) em parceria com a Asbraer, teve a intenção de compreender os aspectos políticos e técnicos das instituições estaduais de Ater brasileiras, oferecer inputs sobre as culturas do feijão-fava e trigo tropical (prioritárias para a Etiópia) e apontar possíveis temas futuros de cooperação.

A ocasião contou com a participação do presidente da Asbraer, Nivaldo Magalhães, diretora de pesquisa do IDR-Paraná, Dr.ª Vânia Cirino, diretor de assistência técnica e extensão rural do IDAM/AM, Luiz Herval, para falar sobre a ater brasileira em suas diferentes dimensões. Do lado Etíope, o evento teve a participação do ministro de Desenvolvimento Agropecuário da Etiópia, Girmame Garuma e da Sra. Yenenesh Egu, Diretora de Extensão Rural – Ministério da Agricultura da Etiópia.

Segundo o Ministério da Agricultura da Etiópia, o país possui em torno de 60 mil extensionistas, que são chamados de agentes de desenvolvimento, e possuem formação em áreas diversas de nível superior e técnico. O país possui um centro de capacitação de produtores onde eles vão para receber o atendimento dos extensionistas. Segundo a senhora Yenenesh Egu, o país busca desenvolver uma extensão pluralista em nível federal ligando a extensão à pesquisa.

Como desafios, a Etiópia  classifica o sistema inadequado de serviços, uma produção focada em sistemas ineficientes e isso dá acesso pequeno aos serviços de financiamento, o que impede a escalabilidade de sistemas e uma capacidade limitada de serviços aos produtores. Além de quadro institucional limitado principalmente para produção de conhecimento. Segundo Yenesesh, precisam desenvolver novas tecnologias, no entanto o sistema de extensão para disseminar tecnologias não é robusto. Ela entende que é necessário linkar o sistema de mercado com o produtor, além de diversificar os serviços de extensão rural no país.

O presidente Nivaldo Magalhães, da Asbraer, deu um panorama nacional da extensão rural brasileira e contou a história da representação da ater pública em nível nacional quando a ater pública deixou de ser custeada pelo governo federal e passou a ser entidades estaduais. “Com toda essa mudança tem entidade que faz a assistência técnica, a extensão rural, a pesquisa e a regularização fundiária”, afirmou Nivaldo. 

Enquanto a Etiópia tem 60 mil extensionistas, o Brasil tem 15 mil. Mas no Brasil isso funciona porque cada estado tem seu escritório central e coordenadorias regionais e escritórios locais nos municípios dando capilaridade à extensão rural pública. É a extensão rural pública que aplica a política pública no Brasil. Além disso, o diferencial brasileiro é que a ater fornece serviços gratuitos ao agricultor familiar e pequeno produtor, tendo taxas apenas aos médios e grandes agricultores. 

“Nós que fazemos a Asbraer, fazemos o intercâmbio entre estados para trocar experiências e com isso, damos uma melhor qualificação na ater pública. Apesar de sermos 27 estados, temos uma coordenação única pela Asbraer e fazemos a representação de todo o país junto ao governo federal. A partir daí temos uma orientação única para todos os estados. Com essa orientação única, desenvolvemos as políticas públicas”, completou. Nivaldo acrescentou ainda, que a ater pública, além da assistência técnica na produção,  orienta também o agricultor na comercialização.

O Intercâmbio contou ainda com a experiência do IDAM/AM, com a apresentação do diretor de assistência técnica e extensão rural, Luiz Herval, que mostrou as dificuldades da região norte por sua extensão e especificidade. “ a ater no Amazonas é a mais cara, mas conseguimos também dar capilaridade e atender nosso público, inclusive povos tradicionais”, afirmou.

Representando o sul do país, a Drª Vânia Cirino, do IDR-Paraná, apresentou a experiência do estado mostrando suas boas práticas, após a junção da assistência técnica e extensão rural com a pesquisa.

Os representantes etíopes puderam tirar suas dúvidas, onde focaram entender como funciona a estruturação da ater pública com serviços gratuitos, capacitação e cooperativismo.

O evento continuará na próxima quarta-feira (12) às 8h30 (horário de Brasília) com apresentações técnicas sobre feijão fava e trigo tropical de técnicos da Empaer/PB e IDR-Paraná, além da participação da Embrapa.

Fonte: Asbraer

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