O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o Ministério do
Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Ministério do
Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Ministério do Planejamento
e Orçamento (MPO) e o Grupo de Políticas Públicas da Escola Superior de Agricultura
Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP), lançaram, em 2025, o estudo
Territórios Propulsores da Bioeconomia: Múltiplos Benefícios das Cadeias da
Sociobiodiversidade em Áreas Protegidas.
A publicação apresenta evidências sobre os múltiplos valores sociais, econômicos e
ambientais das cadeias da sociobiodiversidade em áreas protegidas, em um contexto de
ampliação dos debates sobre o papel dos territórios coletivos de Povos Indígenas e
Povos e Comunidades Tradicionais (PIPCTs) na contenção do desmatamento.
A pesquisa destaca a experiência da Reserva Extrativista do Médio Juruá, reunindo
análises qualitativas e quantitativas que reforçam a importância das Reservas
Extrativistas como territórios estratégicos para o desenvolvimento da bioeconomia.
De acordo com o estudo, a RESEX Médio Juruá apresentou taxas significativamente
menores de desmatamento em comparação com áreas vizinhas sem organização
produtiva estruturada. Dessa forma, conclui-se que o fortalecimento das cadeias da
sociobiodiversidade contribuiu diretamente para a conservação florestal e a proteção
territorial. O estudo evidencia, ainda, a contribuição dessas áreas para a regulação
climática, a conservação da biodiversidade e a valorização dos modos de vida
tradicionais.
A publicação também demonstra que a organização das cadeias produtivas — como
óleos vegetais, borracha e manejo sustentável do pirarucu — ampliou a renda das
famílias extrativistas. Assim, a geração de renda passou a estar associada à manutenção
da floresta em pé, rompendo com a lógica predatória.
Outro dado relevante aponta a importância da governança local fortalecida. O sucesso
do território está diretamente relacionado à atuação articulada de associações,
cooperativas e organizações locais. A governança comunitária foi decisiva para o acesso
a mercados, políticas públicas e para a garantia da regularidade produtiva.
Por fim, o exemplo do Médio Juruá demonstra que territórios com organização social
sólida e apoio institucional podem se consolidar como polos de bioeconomia. O estudo
indica que políticas públicas devem priorizar investimentos em infraestrutura logística,
assistência técnica, acesso a crédito e fortalecimento institucional local.

Mudanças climáticas e biodiversidade

A publicação está alinhada às diretrizes da Estratégia Nacional de Mitigação (ENM), no
âmbito do Plano Clima, que prevê a articulação entre políticas setoriais de mitigação e
outras políticas públicas para a geração de co-benefícios, como a conservação da
biodiversidade, a provisão de serviços ecossistêmicos, a geração de emprego e renda e a
garantia dos direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais.
O estudo dialoga, ainda, com a Meta 9 da Estratégia e Plano de Ação Nacional para a
Biodiversidade (EPANB), que estabelece ações voltadas à promoção do uso sustentável
da biodiversidade e ao fortalecimento da bioeconomia no país.
Leia a publicação completa aqui:


https://www.gppesalq.agr.br/_files/ugd/9957b7_746d6e9de08340ffbdbad097f474636d.p