Cerca de 60 profissionais participam de curso voltado à execução de programa, em parceria com a Funai, que beneficiará 2.173 famílias da Terra Indígena Yanomami
A Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) está ministrando, na sede do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), em São Gabriel da Cachoeira (AM), de 13 a 17 de abril, o curso de formação de agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). Cerca de 60 técnicos e técnicas estão sendo capacitados para executar o projeto que beneficiará 2.173 famílias da Terra Indígena Yanomami, nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos (AM).
O curso de formação é uma etapa obrigatória para o início das atividades de assistência técnica e extensão rural e visa fortalecer as competências técnicas dos agentes que atuarão nos territórios. Entre os temas abordados estão: metodologia participativa, desenvolvimento sustentável, valorização dos saberes tradicionais, promoção da soberania alimentar, geração de renda e autonomia das comunidades indígenas.
A capacitação conta com parceria do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Ifam e da Fundação Ajuri de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal de Roraima (UFRR), entidade responsável pela execução do Programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) voltado aos povos Yanomami. O curso, com carga horária de 40 horas, conta com palestrantes de todas as instituições parceiras.
De acordo com Iracema de Paula de Lima Freitas, assessora da Diretoria Técnica da Anater, que participa da atividade em São Gabriel da Cachoeira, essa capacitação apresenta um aspecto inédito na história da Agência, em razão do alto percentual de técnicos indígenas que irão atuar nos territórios yanomami: “Os profissionais em formação que atuarão na Terra Indígena Yanomami pertencem a diferentes povos indígenas — Baré, Yanomami, Piratapuia, Tukano, Baniwa, Desana, Wanano, Tariano, Kotiria, Koripako e Kubeo — o que contribui para a execução de políticas públicas específicas, com foco em um modelo de Ater que respeite os territórios e os modos de vida tradicionais e fortaleça a sociobiodiversidade da maior Terra Indígena do país”, afirmou.

Os agentes capacitados deverão ser contratados como agentes de Ater. A escolha da entidade executora — a Fundação Ajuri — foi realizada pelos próprios povos Yanomami, conforme asseguram a Constituição Federal do Brasil e a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A execução das atividades em campo terá início após a conclusão da formação dos profissionais.
Participam da formação, pela Anater, a assessora Iracema de Paula e os analistas da Diretoria Técnica Luís Fernando Tividini, Gereissati Rodrigues Almeida e Sergio Biron Burgardt.
Programa Ater Indígenas Yanomami
O Programa Ater Povos Yanomami atenderá 2.173 famílias de 66 comunidades localizadas no Médio e Alto Rio Negro, no Amazonas. Cada família receberá fomento rural no valor de R$ 4,6 mil, não reembolsável, para a implantação de projetos produtivos, além de assistência técnica.
O investimento total para o programa será de R$ 9,5 milhões, com recursos do Governo Federal destinados à Anater por meio da Funai.
Adicionalmente, o programa contará com acesso ao Programa Fomento, viabilizado por meio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Marci Hences-ASCOM/Anater



