Agência ampliou a atuação da ATER e reassumiu papel estratégico no desenvolvimento rural

18/12/2025 – A Diretoria Executiva da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) reuniu-se nesta quarta-feira (17), em Brasília, com toda a equipe de funcionários para apresentar o balanço atividades e avanços registrados ao longo de 2025, além do planejamento para 2026.

O presidente da Anater, Camilo Capiberibe, destacou o fortalecimento da Anater, a reconstrução do MDA e as políticas para a agricultura familiar como parte do trabalho conjunto e compromisso do governo do presidente Lula que culminaram em avanços como a retirada do Brasil do mapa da fome pela segunda vez — a primeira em 2014 e agora em 2025.

Capiberibe ressaltou ainda que a retomada estruturante da ATER recolocou a assistência técnica pública no centro das estratégias nacionais de desenvolvimento rural. “Isso se reflete no orçamento para a execução de políticas públicas pela Anater, que assinou um novo contrato de gestão em 2023, com orçamento que passou de R$ 10 milhões, do governo anterior, para mais de R$ 400 milhões em 2025”, afirmou.

Para ele, os resultados refletem um conjunto integrado de políticas que alcançam desde mulheres rurais, jovens e assentados da reforma agrária até agricultores urbanos, povos indígenas e comunidades extrativistas, fortalecendo a agricultura familiar em diferentes territórios.

Atuação em todo o território

A diretora técnica da Anater, Loreana Santana apresentou uma perspectiva do avanço e da consolidação da Anater, destacando que a agência executou, ao longo de 2025, onze programas que alcançam 45,7 mil Unidades Familiares de Produção Agrícola (UFPAs) em todos os biomas do território nacional.

Ela apresentou um panorama da agricultura familiar no Brasil, destacando que 77% dos estabelecimentos agrícolas se enquadram nessa categoria. Nesse contexto, ressaltou o Programa Mulheres Rurais, que beneficia 11.220 mulheres agricultoras familiares, dos campos, das águas e das florestas. Destas, 5.513 acessaram o Fomento Rural, do Governo do Brasil, para investir em projetos produtivos. O programa conta com investimento federal de R$ 50 milhões, executado em 24 estados e no Distrito Federal, por meio de chamadas públicas e parcerias com entidades públicas de ATER.

Além disso, de acordo com a diretora técnica, as entidades privadas de ATER credenciadas na Anater e aptas a concorrer aos editais passaram de 268, em 2022, para 580 em 2025. Desde 2023, o credenciamento está permanentemente aberto.

Loreana apresentou ainda um resumo dos programas desenvolvidos pela Anater, entre eles: Bem Viver Pampa, com foco na recuperação e gestão dos recursos hídricos no Bioma Pampa; Bem Viver Semiárido, que promove geração de renda na região do Semiárido; Bolsa Verde, que incentiva o desenvolvimento rural sustentável e a conservação ambiental na Amazônia e nos ecossistemas costeiros e marinhos; Florestas Produtivas, que oferece serviços de ATER a 1.680 estabelecimentos de agricultura familiar na Amazônia; ATER Indígena Oiapoque, que atende 400 famílias em 65 aldeias nas Terras Indígenas Uaçá, Galibi e Juminã (Amapá); ATER Sociobiodiversidade; e ATER para a regularização ambiental e fundiária de 100 famílias agricultoras atingidas pelas enchentes de 2024 e 2025, no Rio Grande do Sul.

Para 2026, segundo ela, estão planejadas novas iniciativas de ATER, incluindo: ATER Indígena Yanomami; ATER para agricultores familiares em municípios com produção de tabaco; e a expansão do programa União com Municípios para cidades localizadas nos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima.

União com Municípios

O gerente extraordinário dos Programas para a Amazônia, Márcio Hirata, lembrou que, em outubro de 2025, a Anater passou a integrar as ações do Programa União com Municípios. O programa atende, neste primeiro ciclo de dois anos, 7.312 famílias em 48 municípios da Amazônia Legal, em áreas prioritárias de desmatamento, e prevê alcançar mais de 30 mil Unidades Familiares de Produção Agrícola (UFPAs) até 2030.

A Anater é responsável pela execução de quatro projetos dentro do Programa União com Municípios: recuperação florestal, regularização fundiária, regularização ambiental e ATER. Segundo Hirata, o foco da pasta é atender os municípios afetados pelos incêndios e pelo desmatamento. “Reduzimos mais de 50% do desmatamento na Amazônia neste ano”, ressaltou.

Rio Doce destaca ações para recuperação dos assentamentos

A gerente extraordinária de Reparação do Rio Doce, Adriana Aranha, apresentou um panorama das ações da pasta desenvolvidas em 2025, com destaque para o projeto de recuperação econômica dos assentamentos do Rio Doce, que integra as ações do Novo Acordo do Rio Doce, lançado em outubro de 2025 pelo presidente Lula.

Aranha enfatizou que 81% dos atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015, são agricultores — 52 assentamentos da reforma agrária foram afetados pelo desastre — e que o governo Lula compreendeu a necessidade de acompanhar de perto essas famílias.

“O projeto de Reparação Econômica e Agroecológica do Rio Doce, executado pela Anater, visa à reconstrução dessas áreas de reforma agrária afetadas pelo desastre e conta com um investimento de R$ 49,9 milhões, a ser executado ao longo de dois anos”, declarou. A assinatura da ordem de pagamento do projeto ocorreu no último sábado (13/12).

Mais Inclusão e assistência tecnológica para agricultores

A diretora de Transferência de Tecnologia da Anater, Ana Euler, apresentou um panorama das ações da Anater em parceria com a Embrapa, com o objetivo de promover maior inclusão tecnológica nos diversos segmentos da agricultura nacional.

O ATER + Digital oferece novas ferramentas de assistência técnica digital aos agricultores, com foco na ampliação do uso de tecnologias para alcançar e atender melhor produtores e produtoras. Já a Plataforma e-Campo disponibiliza capacitações on-line para extensionistas (veja aqui).

Ana Euler afirmou ainda que a implementação dessas tecnologias tem como foco o desenvolvimento da agricultura familiar, enfatizando que a Minha ATER Digital é uma ação disruptiva, “pois aproxima as instituições e o governo, responsáveis pela promoção das políticas públicas, dos técnicos de ATER, que realizam as atividades de extensão rural ‘na ponta’, e dos agricultores e agricultoras”, destacou.

O diretor Administrativo e Financeiro, Sérgio Rosa, ressaltou ações estruturais da Anater, incluindo avanços e a ampliação do corpo funcional, bem como a implementação de tecnologias como motores da eficiência operacional e da inovação institucional, qualificando e ampliando as funções técnicas e administrativas da agência, de forma a chegar com mais rapidez e eficiência aos beneficiários e beneficiárias da agricultura familiar.

Participações

Além da Diretoria Executiva da Anater e Gerentes Extraordinários, estiveram presentes o Secretário da Agricultura Familiar Vanderley Zigger, representando o Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar (MDA), junto com o diretor do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural (DATER), Marenilson Batista da Silva, a Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS Lilian Rahal, a diretora substituta do Departamento de Políticas para o Combate ao Desmatamento do MMA, Nazaré Lima Soares, e o Secretário de Orçamento e Administração do MDA e presidente do Conselho Fiscal da Anater, Diogo Donizetti.