A afirmação é de uma das 12 mil participantes do programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) Mulheres Rurais, do Governo do Brasil, através do MDA e da Anater
Cerca de 400 agricultoras, extrativistas, ribeirinhas e mulheres dos campos, das águas e das florestas participaram, nesta quinta-feira (30), do seminário virtual Programa ATER Mulheres Rurais: Autonomia, Alimentação e Vidas Saudáveis — Um olhar de quem viveu o processo. O evento foi promovido pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) em parceria com a Subsecretaria de Mulheres Rurais do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
Entre os relatos apresentados, o da agricultora Edinalva Martins, de Retirolândia (BA), ilustra as transformações promovidas pelo programa. Atendida pelo Movimento de Organização Comunitária (MOC), ela já trabalhava com horticultura, mas conseguiu expandir a produção após ingressar no ATER Mulheres e acessar o Fomento Rural, no valor de R$ 4.600.
“Hoje, toda a renda que sustenta minha família vem do investimento que fiz na minha propriedade. Meu marido deixou o emprego na cidade e veio trabalhar comigo na horta”, contou.

Segundo a organização, metade das participantes do programa recebeu o Fomento Rural e estruturou projetos produtivos, garantindo segurança alimentar e autonomia financeira. As demais já haviam acessado o benefício anteriormente ou não se enquadravam nos critérios.
Criado em 2023, o ATER Mulheres Rurais é executado em todos os estados e no Distrito Federal e foi o primeiro programa de assistência técnica lançado no atual governo. A iniciativa busca enfrentar desigualdades de gênero e raça, promovendo autonomia econômica, cidadania e melhoria das condições de vida no meio rural.
A presidenta da Anater, Loroana Santana, destacou que o programa ampliou oportunidades para mulheres que já desenvolviam atividades produtivas. “Houve também um processo formativo que abordou agroecologia, feminismo e o enfrentamento ao racismo”, afirmou.
A subsecretária de Mulheres Rurais do MDA, Patrícia de Lucena Mourão, reforçou o compromisso com uma assistência técnica voltada à transformação social. “Queremos fortalecer as mulheres e a juventude em seus territórios”, disse.
Já a secretária de Mulheres Rurais do MDA, Viviana Mesquita, destacou o protagonismo das agricultoras e informou que o governo já discute a implementação do ATER Mulheres Rurais II.
A diretora técnica da Anater, Isabel Silva, ressaltou que as metodologias feministas adotadas no programa foram fundamentais para ampliar a participação das mulheres, promovendo autonomia econômica, inserção social e acesso a políticas públicas. Entre as iniciativas, está a oferta de monitoria infantil, permitindo que mães participem das atividades.

Na Bahia, quase todas as participantes de um dos grupos atendidos passaram a integrar organizações sociais, evidenciando o impacto do programa no fortalecimento do protagonismo feminino, segundo a coordenadora do MOC, Cátia Almeida.
Ao longo do seminário, agricultoras de diferentes regiões compartilharam experiências e resultados. O programa atende assentadas da reforma agrária, agricultoras familiares, extrativistas, pescadoras artesanais, aquicultoras, indígenas, quilombolas e integrantes de comunidades tradicionais, inclusive em áreas urbanas e periurbanas.
Sizan Luis Esberci
Ascom/Anater/MDA


