Agricultores familiares do Distrito Federal e de Goiás relatam experiências e impactos da ATER na produção, na renda e no acesso a mercados

Brasília/ 26-04-2026 – A Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) participou, de quinta-feira (23) a sábado (25), da Feira Brasil na Mesa, realizada na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF). O evento reuniu instituições públicas, produtores e pesquisadores, com foco na valorização da produção de base familiar e dos povos e comunidades tradicionais.

Na sexta-feira (24), a presidenta da Anater, Loroana Santana, integrou um painel que discutiu o papel da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) na produção agroecológica e na comercialização solidária de frutas no Cerrado, a partir de experiências desenvolvidas pela Anater em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Durante sua participação, Loroana destacou a atuação do ex-ministro Paulo Teixeira e da atual ministra Fernanda Machiavelli na reconstrução do MDA e no fortalecimento de políticas públicas voltadas à agricultura familiar. Ela também apresentou um panorama das ações e programas da Anater, desenvolvidos em parceria com o MDA, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e outros órgãos do Governo Federal, além de entidades parceiras de assistência técnica.

Entre as iniciativas, ressaltou os programas Bem Viver Centro-Oeste e ATER Mulheres Rurais, que atendem agricultores e agricultoras familiares no Distrito Federal e entorno.

A presidenta enfatizou que a Anater tem ampliado de forma contínua a oferta de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) no Brasil por meio de instrumentos estruturantes, como os Instrumentos Específicos de Parceria (IEPs), firmados com entidades públicas, e as chamadas públicas para contratação de empresas privadas. “Esses mecanismos ampliam o alcance da assistência técnica, facilitam o acesso dos agricultores familiares ao crédito rural e a políticas de fomento, além de impulsionarem a estruturação de cadeias produtivas, a inovação tecnológica, a produção e a comercialização agroecológica e a diversificação de culturas”, ressaltou.

O painel contou com a participação de agricultores familiares atendidos em programas de ATER pela Anater/MDA no Distrito Federal e em Goiás, com mediação da diretora técnica da Anater, Isabel Silva. Participaram do debate a agricultora assentada Mary Grant, do assentamento Oziel Alves (DF); o presidente da Cooperativa Nacional das Plantas Alimentícias Não Convencionais (ComPANC), Virgínio Beltrami; a técnica da Legaliza, Andreia Siqueira; e o técnico da Rede Terra, Ciro Eduardo.

O debate abordou estratégias de mercado para produção e comercialização de frutas no Cerrado, experiências práticas e o potencial das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) na ampliação de mercados, além de apresentar relatos de agricultores e agricultoras que participam dos programas de Ater.

Andreia Siqueira destacou que as ações de ATER têm fortalecido a agricultura familiar na região, incentivando a produção frutícola e a participação em programas públicos como o PAA e o PNAE, responsáveis por gerar renda para dezenas de agricultores e agricotoras. Segundo ela, a assistência técnica também contribui para o avanço no acesso a políticas públicas, com a emissão de 100% dos Cadastros da Agricultura Familiar (CAF), além da entrega de equipamentos e da articulação de parcerias institucionais.

Outro destaque, segundo ela, é a Rota da Fruticultura no Distrito Federal, iniciativa que busca consolidar um polo produtivo com culturas como pitaya, mirtilo e maracujá. Andreia também ressaltou o impacto dos programas ATER Mulheres e Bem Viver Centro-Oeste na diversificação da produção e acesso a mercados, incluindo culturas como açaí, baunilha, uva e café.

“Os projetos integram assistência técnica, inovação e inclusão produtiva, contribuindo para o aumento da renda, da sustentabilidade e da qualidade de vida dos (das) agricultores familiares”, afirmou.

O técnico da Rede Terra, Ciro Eduardo, reafirmou a importância da política de reforma agrária e dos assentamentos rurais, com foco nos territórios, na participação social e na integração dessas políticas, e dos diversos atores sociais, visando o bem viver da população rural.

A agricultora Mary Grant, beneficiária dos programas ATER Mulheres Rurais e Bem Viver Centro-Oeste, relatou sua experiência, destacando o papel da assistência técnica no fortalecimento da produção e da comercialização de frutas no Distrito Federal.

“A ATER foi um divisor de águas para contribuir no fortalecimento da minha produção de frutas”, afirmou.

O presidente da ComPANC, Virgínio Beltrami, destacou a valorização da biodiversidade, o consumo de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), os Arranjos Produtivos Locais (APLs), etc., como forma de fomentar a economia familiar e regional, garantindo sustentabilidade. Ele ressaltou ainda que políticas públicas são pilares essenciais para o fortalecimento da produção, comercialização e consumo de PANCs.

Minha ATER Digital

Na abertura da Feira Brasil na Mesa, na quinta-feira (23), a Anater acompanhou o lançamento oficial do programa Minha ATER Digital, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa, coordenada pelo MDA em parceria com a Embrapa e a Anater, integra a estratégia de transformação digital da ATER, ampliando o acesso a conteúdos, ferramentas e cursos voltados à agricultura familiar em todo o país.

A plataforma tem como objetivo ampliar o acesso ao conhecimento técnico no campo. “É uma ferramenta para disponibilizar conhecimento a técnicos, extensionistas e profissionais que orientam os produtores”, destacou Ziger, que também ressaltou o papel do SGA Móvel na coleta de dados estratégicos para subsidiar políticas públicas.

A diretora de Transferência de Tecnologia da Anater e diretora da Embrapa, Ana Euler, mediou um dos painéis e destacou que a ATER vive um momento positivo, com o fortalecimento dos canais digitais e a ampliação do acesso à informação no meio rural. Segundo ela, o próximo passo é articular, junto ao Ministério das Comunicações, o acesso aos recursos do FUST (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), com o objetivo de ampliar a conectividade no território brasileiro.

Marci Hences -ASCOM/Anater