Ciência e tecnologia para o bem comum

27/07/2020

Evaldo Vilela*

Desenvolvemos no Brasil uma invejável comunidade científica, seguramente entre as dez mais produtivas do mundo, em relativamente poucas décadas. Isto graças ao financiamento público do CNPq, FINEP, CAPES, BNDES e Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa e, acima de tudo, graças à dedicação, resiliência e talento dos nossos pesquisadores, dentre os quais jovens pós-graduandos. Inegável ainda, o apoio das nossas universidades públicas, em programas e infraestrutura.

No atual enfrentamento da pandemia, ficou ainda mais evidente o papel protagonizado pelos nossos pesquisadores para salvar vidas, independente da condição social. Sem Ciência não há vacinas, diagnósticos e medicamentos e o futuro se torna incerto, assim como também é incerto o cotidiano sem alimentos, sem sustentabilidade ambiental e sem o equacionamento das questões sociais. Enfim, as pessoas estão mais conscientes de que a Ciência é essencial para a continuidade da vida.

Apesar de ainda muito pouco divulgada entre nós, a pesquisa científica no Brasil tem impulsionado o desenvolvimento. Na área da Saúde fomos decisivos para desvendar os efeitos da Zika e, agora, contribuímos decisivamente para o entendimento do novo coronavírus. Na recente Chamada Pública lançada pelo CNPq e MCTIC, a Ciência brasileira mostrou ser robusta submetendo mais de 2.200 projetos de pesquisa para o combate à Covid-19, com propostas que exploram ferramentais digitais, como a inteligência artificial, associadas a métodos consagrados.

Nas Ciências Agrárias, a pesquisa brasileira foi decisiva para o avanço da oferta em quantidade e qualidade de alimentos, popularizando inclusive a proteína animal na nossa alimentação, tendo como exemplo o acesso ao frango a baixo custo. Tudo graças à agricultura tropical, uma das maiores invenções brasileiras, fruto de um grande esforço da Ciência praticada em nossas universidades públicas e na Embrapa. Além de atender a mesa dos brasileiros, alimenta mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo.

Certamente, com o abrandamento da pandemia, viveremos uma nova realidade, com mudanças que irão criar oportunidades para as nações preparadas para gerar e se valer de novos conhecimentos científicos e tecnológicos em áreas estratégicas para a melhoria da condição social do país. Para isto, é necessário promover uma aliança ativa entre universidades, indústrias/empresas e governos em grandes projetos articulados em cadeias produtivas estruturadas e orientadas para a inovação, num processo dinâmico e sistêmico.

São tempos difíceis que irão desafiar as nações que não se organizarem em redes de pesquisa colaborativas com setores empresariais focados em ganhos de competitividade global. Mais do que antes, a economia com base no conhecimento é a única possibilidade para o país manter o seu protagonismo e soberania, com a geração de produtos, serviços e processos inovadores. 

Neste cenário, a ameaça é não ter planos de desenvolvimento com base na aplicação dos resultados das nossas pesquisas, onde teses da pós-graduação precisam impulsionar startups e negócios tecnológicos, com a criação de empregos aqui e não lá fora, além de novos tributos. Em uma estratégia bem-sucedida, conseguiremos nutrir permanentemente uma prosperidade capaz de possibilitar o efetivo combate à desigualdade social que assola o Brasil, valendo-se de efetivas políticas públicas.

Para concretizar estes sonhos é preciso recursos financeiros em um fluxo contínuo e em valores compatíveis com as reais necessidades da realização das pesquisas, bem como para a devida aplicação dos seus resultados. Para isto, precisamos convencer o poder público de que a prática da Ciência exige investimentos em laboratórios, pessoas capacitadas, bolsas, equipamentos e insumos e são necessários planos, com prioridades e envolvimento das diversas áreas do conhecimento.

Neste mundo competitivo e com profundas e constantes transformações, enfraquecer a pesquisa pura e aplicada certamente nos condenará a não ter solução para nossa crise fiscal, apesar de nossas riquezas, fortalezas e talentos. E, ainda, atentar contra a soberania nacional, por não desenvolvermos uma indústria de base tecnológica capaz de nos prover, por exemplo, os desejados respiradores pulmonares e medicamentos. 

Para combater a Covid-19, tivemos que importar tudo e enfrentamos muitas dificuldades para socorrer nossos doentes. Devemos reagir e nos preparar para novos desafios. Muitos dos projetos apresentados ao CNPq, à FINEP, FAPs e ao MC- TIC desenvolverão inéditas e importantes soluções para o enfrentamento de pandemias.

*Presidente do CNPq, ex-reitor da UFViçosa, membro da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e Academia Brasileira de Ciências.   

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