Com apoio do Projeto D. Helder Câmara, agricultora melhora renda familiar

19/06/2020

Ações do projeto estão contribuindo para que famílias do Semiárido possam ter mais qualidade de vida

Plantar. Colher. Sobreviver. Lutar. Sonhar. Esses verbos sempre fizeram parte da vida de Renata Fernandes. Moradora da comunidade Jundiaí Figueiras, município de Orobó/PE, a agricultora trabalha na terra há anos para ajudar a família. Primeiro, acompanhando a mãe nas atividades no campo e cuidando de algumas cabras, pois perdeu o pai aos nove meses. Depois, trabalhando na área onde mora com o marido, a filha, a mãe e uma irmã.

Ela é uma das milhares de famílias beneficiadas pelo Projeto Dom Helder Câmara (PDHC), projeto que tem como objetivo realizar ações referenciais de combate à pobreza e apoio ao desenvolvimento rural sustentável na região do Semiárido.

O PDHC é realizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em conjunto com a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e várias instituições que prestam serviços de Ater, por meio de um acordo de empréstimo firmado entre o governo brasileiro e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).

Atualmente, o PDHC atua em 913 municípios em 11 estados da Federação. Além de Pernambuco, o projeto está presente em Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Sergipe, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Espírito Santo, apoiando cerca de 60.000 mil famílias e beneficiando diretamente em torno de 126 mil pessoas.

Chefe de família

É Renata, 27 anos, quem faz a vida se movimentar para a família. Semianalfabeta, ela acorda às 4 horas da manhã para plantar, colher e cuidar dos poucos animais. Incansável, foi ela quem cortou os mourões e cercou o terreno, fez o galinheiro e a cocheira dos animais.

É ela também quem sai, diariamente, para comercializar alguns produtos na vizinhança ou em feiras. Para isso, chega a andar duas horas debaixo de sol. Por motivos de saúde, o marido não consegue fazer atividades que exijam grande esforço, mas a ajuda em algumas atividades em campo, e leva e busca a filha do casal no trajeto para a escola.

Novas oportunidades

A agricultora conta que conheceu o projeto por acaso. Procurando trabalho como ajudante de pedreiro, ela foi até uma Unidade de Referência, onde estava sendo realizada uma atividade de divulgação de boas práticas de comercialização, com técnicos que realizam a Ater para o PDHC no estado.  Pelo serviço de ajudante, Renata ganharia apenas 20 reais por dia, ao contrário dos 60 reais pagos para um homem que executa o mesmo serviço.

Como na casa da família de Renata faltava alimento e dinheiro para comprar itens básicos, ela ouviu, desconfiada, mas interessada, a explicação da técnica Eliane Nery, do Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, sobre como os agricultores podiam ampliar a renda beneficiando alguns produtos.

O Centro Sabiá realiza as atividades de Ater no estado, juntamente com a Instituto Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) local, contratados pela Anater para a execução do serviço.

A assistência técnica e extensão rural é o eixo central do PDHC, com foco em qualificar os sistemas produtivos locais, contribuindo com o repasse de conhecimento aos produtores, com a difusão de tecnologias sociais (boas práticas) e otimizando as políticas e programas públicos voltados para a produção rural sustentável.

O maracujá, por exemplo, podia ser vendido in natura, mas também virar suco, mousse, geleia, agregando mais valor e gerando mais renda. “Do limão se faz uma limonada, um dudu”, como é chamado o picolé no saquinho na região. A explicação é da Eliane, para exemplificar aos agricultores como é possível aumentar a renda, se tiverem um olhar diferenciado para o que plantam.

“Da janela, Renata me perguntou: e quem não tem nada para fazer? Respondi que sempre tem, e ela me falou da macaxeira que havia no terreno. Costumo dizer que não foi o projeto que encontrou a Renata. Foi ela que encontrou o projeto”, lembra Eliane.

Com a ajuda da técnica e da irmã, Rosi, Renata investiu R$30 para comprar amendoim, coco, farinha, manteiga e açúcar, e fez pé-de-moleque, beiju e bolo de mandioca para vender na Feira Agroecológica de Surubim, distante cerca de 50 km de sua casa. A iniciativa deu certo e elas conseguiram R$105. Renata entendeu que valia a pena fazer parte do projeto e ouvir o que a extensionista ensinava.

Sempre orientada via PDHC, Renata recebeu sementes do projeto e passou a comercializar parte do que produz, construiu um galinheiro e uma cocheira, que aprendeu a fazer com a extensionista, que a visita semanalmente, e participou de intercâmbios e oficinas, junto com outros agricultores familiares.

“Com a participação na feira, pude aumentar um pouco minha renda, plantar mais itens, comprar os animais e pagar algumas contas. Hoje, saio negociando tudo que a gente colhe: mandioca, banana, couve, seriguela, o que der. Coloco alguns cocos na carroça e saio oferecendo pela vizinhança e na cidade mais próxima. No entanto, precisamos crescer mais, para não passar tanta dificuldade, para minha filha e minha família terem uma vida melhor”, pondera.

Para Renata, a família é seu ponto de partida e seu porto seguro. “É minha base. É por ela que trabalho de sol-a-sol, mas é graças à minha família também que consigo trabalhar, que tenho forças para seguir, é com quem posso contar”, ressalta.

Segundo Renata, com o projeto, ela viu que vale a pena o esforço e o desejo de uma vida melhor. “Eu não tinha nada. Hoje em dia passamos por menos dificuldades e tenho certeza de que vai melhorar ainda mais. Sonho em ter uma moto simples para não precisar andar tanto para vender; quero ter uma forrageira, uma cisterna, porque precisamos de água para plantar, e aqui tem épocas bem difíceis, sem chuva por meses; e quero plantar capim para ter alguns bois. Ainda tenho muito sonho para realizar e muito força de vontade para trabalhar”, planeja.

Renata é uma lutadora, que trabalha, sonha, que cai, se levanta, cai de novo, e que não perde a esperança de colher um futuro melhor.

Texto: Marta Moraes / Assessora de Comunicação do PDHC
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